Alexandre Padilha conversou com jornalistas durante a Conferência Internacional de Alto Nível "Shaping AI in Health", promovida pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde de Portugal.
Alexandre Padilha conversou com jornalistas durante a Conferência Internacional de Alto Nível "Shaping AI in Health", promovida pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde de Portugal.Foto: Caroline Ribeiro

"Postura absurda" de Trump "não vai abalar" parcerias entre Brasil e EUA na saúde, garante ministro brasileiro

Ministro da Saúde cumpre agenda da OMS em Lisboa sobre uso de Inteligência Artificial no setor e destacou que "visão multipolar" do Governo brasileiro segue norteando ações da pasta.
Publicado a

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, garante que as tensões atuais entre a administração dos Estados Unidos e o Governo brasileiro não são um fator de risco para os projetos da pasta com empresas norte-americanas.

"Nós temos forte parceria com a CPLP, forte parceria com a União Europeia, temos uma forte parceria com instituições e empresas dos Estados Unidos, apesar da postura absurda do Presidente da República dos Estados Unidos em tomar atitudes isolacionistas, retaliações absurdas, inclusive em relação à União Europeia, isso não vai abalar em nada as nossas parcerias com as empresas, com as instituições dos Estados Unidos, com profissionais de saúde dos Estados Unidos. A nossa aposta é essa, é multipolar", afirmou Padilha ao DN Brasil.

Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!

O ministro está em Lisboa para uma agenda de cooperação internacional e participou, nesta quarta-feira, 15 de julho, da Conferência Internacional de Alto Nível Shaping AI in Health, promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde de Portugal, que reuniu representantes governamentais de 37 países para discutir as possibilidades de uso ético e seguro da Inteligência Artificial nos sistemas de saúde.

Padilha reforçou que a implementação destes recursos deve ser liderada, em cada país, pelos sistemas públicos de saúde. "Se a introdução da IA na saúde for liderada pelo sistema nacional público, irá reduzir a desigualdade, irá juntar todos, inclusive o setor privado. Se for liderada por interesses privados, ou por interesses de outros países dentro do país, vai aprofundar a desigualdade, vai aprofundar as distâncias e vai reduzir a soberania dos países", declarou o ministro.

Numa das apostas mais recentes de digitalização, o Ministério da Saúde assinou um acordo de R$ 1,7 bilhão com o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), do grupo BRICS, para construição do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, que será o primeiro hospital público inteligente do país. Ação que corresponde às estratégias de diálogo multipolar que tem defendido.

"Nós estamos com uma parceria muito importante consolidada no âmbito dos BRICS, com China, Índia, da rede de serviços de inteligência no Brasil. Estamos montando a rede de serviços que usam a IA, a ultraconexão dos equipamentos, do acesso a qualquer local, pelos profissionais de saúde, pelos usuários, das suas informações, pelo uso da internet de alto desempenho para mandar imagens, monitorar os pacientes, fazer telecirurgia, cirurgia robótica a distância", destacou.

Portugal e CPLP

O evento da OMS também acolheu, paralelamente, um encontro focado na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Em Portugal depois de passar por Moçambique, Alexandre Padilha garantiu que o "investimento na CPLP é de aprendizado comum" e destacou a apoio do Brasil na expansão da rede de bancos de leite humano moçambicana, além de outros projetos, como o intercâmbio de 600 médicos e enfermeiros angolados para especialização no Brasil. "Quando eles retornam e fortalecem o sistema de saúde em Angola, eles também fortalecem a medicina brasileira e ampliam as relações dos nossos hospitais, das nossas universidades, dos nossos profissionais com outras redes de saúde", disse.

Com Portugal, o ministro afirmou que há valorização de "uma relação histórica" entre o SUS e o Serviço Nacional de Saúde (SNS) português, dois serviços nascidos no contexto de "processos de redemocratização" de cada país. "Um dos primeiros sistemas de informação que o Brasil utilizou para o seu sistema de saúde, vários deles, foram desenvolvidos em Portugal", afirmou.

A última agenda de Alexandre Padilha em Portugal será a inauguração da base da Fiocruz no país, projeto que está em andamento desde a última Cimeira Brasil-Portugal, realizada em Lisboa em 2024. A entidade passará a funcionar no mesmo prédio que já abriga a ApexBrasil, a Embratur e o Sebrae, como o DN Brasil já antecipou.

Há pelo menos dois anos, a fundação vem planejando expandir suas atividades em Portugal. A Fiocruz já mantém protocolos de cooperação com instituições portuguesas, como o Instituto Doutor Ricardo Jorge, Universidade Lusófona, Universidade de Coimbra e o Instituto de Ciências Nucelares Aplicadas à Saúde, e pretende ampliar essas parcerias.

Em entrevista ao DN Brasil em 2025, o presidente da Fiocruz, Mário Moreira, afirmou que um dos objetivos da expansão é também cuidar da comunidade brasileira em Portugal. "A Fiocruz, como uma instituição do campo da saúde, entende que saúde não é apenas ausência de doença. É direito à moradia, ao lazer, à cultura, à educação, à segurança, às cidades. E isso inclui os brasileiros que moram aqui", argumentou.

caroline.ribeiro@dn.pt

Alexandre Padilha conversou com jornalistas durante a Conferência Internacional de Alto Nível "Shaping AI in Health", promovida pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde de Portugal.
Fiocruz apresenta oficialmente escritório em Portugal esta semana
Alexandre Padilha conversou com jornalistas durante a Conferência Internacional de Alto Nível "Shaping AI in Health", promovida pela Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde de Portugal.
30 anos da CPLP. “Participação ativa do Brasil é fundamental”, diz embaixador da missão brasileira
Diário de Notícias
www.dn.pt