Muita gente muda para Portugal, mantém o domicílio eleitoral no Brasil e simplesmente deixa de votar.
Muita gente muda para Portugal, mantém o domicílio eleitoral no Brasil e simplesmente deixa de votar.Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Pergunte ao Advogado. Não justifiquei meu voto e meu título foi cancelado. Como resolver?

Tem uma pergunta? Basta enviar para o e-mail dnbrasil@dn.pt que a resposta será publicada às quintas-feiras no DN Brasil.
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Neste domingo, 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes nas Eleições 2026. Mas, para quem vive fora do Brasil, a proximidade da eleição também costuma trazer uma dúvida que ficou esquecida durante anos: como está o meu título de eleitor?

A pergunta enviada esta semana retrata uma situação muito comum entre brasileiros que moram no exterior: "Não justifiquei meu voto em várias eleições e tive meu título cancelado. Como resolver?"

Muita gente muda para Portugal, mantém o domicílio eleitoral no Brasil e simplesmente deixa de votar. Passam-se os anos, as eleições se acumulam e, quando a pessoa finalmente consulta sua situação perante a Justiça Eleitoral, descobre que o título está cancelado.

A boa notícia é que existe solução. Mas é importante entender como funciona.

Três ausências podem levar ao cancelamento

Para a Justiça Eleitoral, cada turno é considerado uma eleição. Isso significa que primeiro e segundo turnos são contabilizados separadamente.

Em regra, quem deixa de votar em três eleições consecutivas, não apresenta justificativa e também não paga as respectivas multas pode ter a inscrição eleitoral cancelada.

E aqui está um detalhe importante: não é simplesmente morar fora do Brasil que provoca o cancelamento. O problema surge quando o eleitor continua vinculado a um domicílio eleitoral no Brasil, não comparece às eleições e deixa de justificar ou regularizar suas ausências.

Moro em Portugal. Sou obrigado a votar no Brasil?

Enquanto o brasileiro mantiver seu título vinculado a uma zona eleitoral no Brasil, deverá cumprir suas obrigações eleitorais normalmente. Se estiver no exterior no dia da votação, poderá justificar a ausência.

Para quem está fora do país, a justificativa pode ser apresentada eletronicamente pelos canais da Justiça Eleitoral.

Para as Eleições de 2026, quem faltar ao primeiro turno terá até 3 de dezembro de 2026 para justificar. Havendo segundo turno e nova ausência, o prazo será até 8 de janeiro de 2027. Cada turno exige uma justificativa própria.

Existe ainda uma regra específica para quem estava no exterior no dia da eleição: a legislação permite a apresentação da justificativa em até 30 dias após o retorno ao Brasil, quando esse prazo for mais benéfico.

E quem mora definitivamente no exterior?

Nesse caso, pode fazer sentido transferir o domicílio eleitoral para o exterior.

Essa mudança é especialmente relevante porque o eleitor inscrito na Zona Eleitoral do Exterior tem obrigação de votar apenas nas eleições para presidente e vice-presidente da República.

Assim, quem vive em Portugal de forma permanente não precisa continuar vinculado ao município brasileiro onde morava anteriormente. A transferência do domicílio eleitoral pode evitar que, a cada eleição, seja necessário justificar ausências relacionadas a votações para cargos que não são escolhidos pelo eleitorado domiciliado no exterior.

Meu título já foi cancelado. Basta pagar a multa?

Não. Esse é um dos pontos que mais causam confusão.

Quando o título foi cancelado em razão de três ausências consecutivas, o simples pagamento das multas não reativa automaticamente a inscrição eleitoral.

Primeiro, é necessário verificar e quitar os débitos existentes. Depois, será preciso solicitar a revisão do título ou, se for o caso, a transferência do domicílio eleitoral.

O próprio Tribunal Superior Eleitoral esclarece que, nos casos de cancelamento por ausências, pagar as multas sem requerer a revisão ou transferência não é suficiente para regularizar o título.

Quanto custa a multa?

A multa eleitoral por ausência é pequena. De acordo com as regras atuais do TSE, cada ausência injustificada gera débito de até R$ 3,51.

A legislação também admite situações específicas de majoração e prevê isenção para quem declarar, nos termos legais, estado de pobreza.

O pagamento pode ser realizado pelos canais oficiais da Justiça Eleitoral, inclusive por Pix, cartão de crédito ou GRU, conforme o serviço utilizado.

Portanto, geralmente o maior problema não é o valor da multa. É deixar a situação eleitoral irregular durante anos.

Posso regularizar meu título agora, antes da eleição de domingo?

Se o título já está cancelado, não.

Esse ponto é especialmente importante nesta semana. O cadastro eleitoral para as Eleições 2026 foi fechado em 7 de maio e permanecerá fechado até 2 de novembro.

Durante esse período estão suspensos os pedidos de alistamento, transferência, revisão cadastral e regularização de título cancelado.

O cadastro será reaberto em 3 de novembro de 2026.

Isso acontece porque a lei impede o recebimento de requerimentos de inscrição ou transferência eleitoral nos 150 dias anteriores à eleição.

Então, se você descobriu agora que seu título está cancelado, não conseguirá reativá-lo para votar neste domingo.

Mas isso não significa que nada possa ser feito. Mesmo durante o fechamento do cadastro, continuam disponíveis serviços como consulta da situação eleitoral, emissão de determinadas certidões e pagamento de multas.

Como regularizar depois das eleições?

A partir da reabertura do cadastro, em 3 de novembro, o procedimento poderá ser iniciado pelo Autoatendimento Eleitoral, no portal oficial do TSE.

O caminho indicado pela própria Justiça Eleitoral é acessar o Autoatendimento, selecionar "Título Eleitoral" e procurar a opção destinada à regularização de título cancelado.

Será necessário preencher o requerimento, apresentar os documentos solicitados, quitar eventuais multas e acompanhar o protocolo pela própria plataforma.

Dependendo da situação cadastral, especialmente quando houver necessidade de coleta ou atualização biométrica, poderá ser exigido atendimento presencial.

Para quem efetivamente reside em Portugal ou em outro país, esse também pode ser o momento adequado para solicitar a transferência do domicílio eleitoral para o exterior, em vez de simplesmente regularizar o título mantendo-o vinculado ao Brasil.

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