Essa é uma dúvida que tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros que chegam a Portugal. Depois de todo o processo para obter um visto de residência junto ao Consulado Português, muitos acreditam que poderão iniciar imediatamente sua vida profissional. No entanto, ao solicitarem o Número de Identificação da Segurança Social (NISS), acabam surpreendidos com uma negativa ou com exigências burocráticas que atrasam sua integração no país.O que pouca gente sabe é que a legislação portuguesa já prevê um procedimento integrado para facilitar esse processo. A intenção do legislador foi justamente evitar que o imigrante, após receber o visto, tivesse que percorrer diferentes órgãos públicos para obter o NIF, o NISS e o número de utente do Serviço Nacional de Saúde. Na prática, esses identificadores deveriam ser atribuídos de forma articulada entre os próprios serviços do Estado.Infelizmente, a realidade ainda está muito distante do que foi previsto na legislação. Muitos estrangeiros chegam a Portugal sem que o NISS tenha sido atribuído automaticamente e, quando procuram a Segurança Social para regularizar a situação, enfrentam novas exigências documentais ou até mesmo a recusa do pedido.A situação se torna ainda mais contraditória para quem chega com um visto de trabalho. Afinal, o próprio Estado Português analisou a documentação, reconheceu que aquele cidadão preenchia os requisitos legais e autorizou sua entrada no país para exercer uma atividade profissional. Porém, ao chegar em Portugal, outro órgão da mesma Administração Pública dificulta justamente a emissão do número indispensável para que esse trabalhador seja contratado e passe a contribuir para a Segurança Social.É verdade que a legislação permite que a própria empresa comunique a admissão do trabalhador à Segurança Social e promova sua inscrição. No entanto, na prática, a maioria dos empregadores prefere não assumir esse risco. Muitas empresas exigem que o trabalhador já possua o NISS antes da contratação, seja por desconhecimento da legislação, seja por receio de enfrentar problemas administrativos futuros.O resultado é um efeito em cadeia extremamente prejudicial. Sem o NISS, muitos estrangeiros não conseguem formalizar o contrato de trabalho. Sem contrato, deixam de contribuir para a Segurança Social, não conseguem comprovar renda nem demonstrar capacidade de subsistência. Mais tarde, quando comparecem à AIMA para a análise do pedido de autorização de residência, acabam encontrando dificuldades para comprovar justamente os requisitos que a própria Administração exige.Em muitos casos, essa situação resulta em atrasos no processo de regularização e pode servir de fundamento para decisões desfavoráveis da própria Administração. O mais grave é que o estrangeiro acaba sendo penalizado por uma falha criada pelo próprio Estado, que primeiro dificulta o acesso ao NISS e, posteriormente, exige documentos cuja obtenção dependia justamente da emissão desse número.Outro ponto que merece reflexão é a própria finalidade do NISS. Diferentemente do que muitos imaginam, ele não representa um benefício concedido ao estrangeiro. Sua principal função é identificar o trabalhador perante a Segurança Social, permitindo o registro das contribuições pagas tanto pelo empregado quanto pela empresa.Em outras palavras, a emissão do NISS não gera despesas para o Estado. Pelo contrário, ela aumenta a arrecadação da Segurança Social, fortalece os cofres públicos e permite um controle muito maior sobre o mercado de trabalho, possibilitando que o Estado fiscalize se as empresas estão cumprindo corretamente suas obrigações trabalhistas e previdenciárias. Quanto mais trabalhadores estiverem devidamente registrados, menor será o espaço para contratações informais e maior será a arrecadação das contribuições sociais.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Por isso, é difícil compreender por que ainda existem tantos obstáculos para a emissão de um documento que beneficia não apenas o trabalhador, mas também o próprio Estado. Ao dificultar a atribuição do NISS, a Administração impede que o estrangeiro trabalhe regularmente, que a empresa recolha as contribuições obrigatórias e que a própria Segurança Social receba recursos que deveriam ingressar em seus cofres desde o primeiro dia de trabalho.Caso seu pedido de NISS tenha sido recusado, o primeiro passo é solicitar a decisão por escrito. A Segurança Social tem o dever de fundamentar a negativa, indicando os motivos concretos da recusa. Com essa decisão em mãos, é possível apresentar uma reclamação administrativa ou um recurso hierárquico, demonstrando que o requerente entrou regularmente em Portugal, possui um visto válido e preenche os requisitos legais para a atribuição do NISS.Se a situação não for resolvida administrativamente, também é possível recorrer aos tribunais administrativos para obter o reconhecimento desse direito. Felizmente, a Justiça portuguesa tem desempenhado um papel importante na correção de atos ilegais praticados pela Administração Pública quando os direitos dos cidadãos deixam de ser respeitados.Quem chega a Portugal com um visto válido não pode ser penalizado por falhas de comunicação entre os próprios órgãos do Estado. Se o próprio Estado autorizou a entrada do trabalhador, deve assegurar que ele tenha condições efetivas de exercer a atividade para a qual foi admitido. A burocracia não pode transformar um direito em obstáculo, muito menos criar barreiras que inviabilizem o cumprimento dos requisitos que a própria Administração Pública exigirá mais tarde para conceder a autorização de residência.. O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Número de Segurança Social na AIMA não resolve impasse enfrentado por imigrantes para conseguir emprego.Vistos de trabalho no Brasil só poderão ser pedidos por patrões a partir desta sexta-feira