"Estamos com a nossa agenda lotada até o final do ano, por isso tivemos que encaixar e tocar na terça-feira", disse ao DN Brasil o vocalista Digão.
"Estamos com a nossa agenda lotada até o final do ano, por isso tivemos que encaixar e tocar na terça-feira", disse ao DN Brasil o vocalista Digão.Foto: DR

Raimundos em Portugal. "Agora é os anos 90 da galera mais jovem"

Banda voltou a Lisboa após quase 30 anos sem tocar por aqui. Apresentação ocorreu no festival Jardins do Marquês, em Oeiras. O DN Brasil conversou com os artistas após a apresentação.
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Passados 28 anos, a banda brasileira Raimundos voltou a se apresentar em Portugal, matando a saudade dos amantes do rock brasileiro. O show ocorreu no festival português Jardins do Marquês, em Oeiras. A apresentação foi na noite de terça-feira, uma data incomum, mas que teve relação com a disponibilidade da banda. "Estamos com a nossa agenda lotada até o final do ano, por isso tivemos que encaixar e tocar na terça-feira", disse ao DN Brasil o vocalista Digão.

Os músicos conversaram com o jornal após a apresentação, que reuniu uma legião de fãs brasileiros, mas também portugueses. "Tenho a filosofia de que o Raimundos, nos anos 90, foi a trilha sonora de muita gente. Hoje são pais e mães que trazem filhos e até netos para os nossos shows. Agora é a vez dos anos 90 deles", explicou o baixista Jean Moura.

Digão avalia que a apresentação "superou as expectativas", principalmente porque o público conhecia as músicas de cor. "A galera cantou todas as músicas do início ao fim, em plena terça-feira, pós-Rock in Rio. Foi maravilhoso", afirmou o vocalista.

O cantor recorda que o último show em Lisboa ocorreu em 1998, durante a Expo 98. Na época, o Raimundos vivia o auge do sucesso e tinha outra formação. Agora, os integrantes dizem estar em uma nova fase e "muito felizes" por voltarem a tocar na Europa.

Para dois dos músicos, este não foi um retorno aos palcos europeus, mas uma estreia. É o caso do baterista Caio Cunha e do baixista Jean Moura. "É um sonho de criança", resumiu Caio, que divide o tempo entre a bateria e os espelhos bucais — ele é cirurgião-dentista. "Eu sou de Santo André, não imaginava que ia tocar aqui", brincou Jean, comentário que também fez durante a apresentação.

A animação do público levou a banda a tocar músicas que não estavam previstas no setlist, como Tora Tora. Apesar de estarem com o novo álbum XXX, o repertório foi repleto de clássicos, como Roda-Gigante, Reggae do Malandro, Mulher de Fases, Puteiro em João Pessoa, Selim e Quero Ver o Oco, entre outros.

A apresentação no festival reuniu várias famílias com crianças, que puderam tirar fotos com os artistas. Após o fim do show, a banda deixou o palco e foi até onde o público estava, atendendo os fãs um a um. Foi um momento de selfies e autógrafos em camisetas e bandeiras do Brasil.

Caio afirma que a banda "sempre tenta" atender o maior número possível de fãs, mas que, em Portugal, eles "fizeram questão" pela forma como foram recebidos pelo público. "Essa troca de energia é muito importante para nós. A gente gosta, e o fã se sente respeitado", resumiu. Esta foi, por enquanto, a única apresentação da banda na Europa, mas os músicos pretendem voltar.

Antes de o Raimundos subir ao palco, a noite começou com a apresentação de Arnaldo Antunes. O Jardins do Marquês continua por mais três noites, nos dias 1º, 5 e 6 de julho. Além de Raimundos e Arnaldo Antunes, outro brasileiro no line-up foi Baco Exu do Blues. Já na edição do ano passado, os representantes do Brasil foram Detonautas e Paralamas do Sucesso.

amanda.lima@dn.pt

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