O Tribunal Superior Eleitoral está "começando a se estruturar" para atuar na fiscalização das campanhas na esfera digital para o pleito de outubro. Quem explica é a ministra Estela Aranha em entrevista no videocast Radar DN Brasil."Nós tivemos a mudança da presidência do TSE. O ministro Nunes [Marques] está assumindo e reestruturando essa área [digital], para enfrentar as eleições. E também a gente depende muito das representações eleitorais. Porque a gente tem o poder de polícia em relação à integridade das eleições, ao tribunal. Em relação às campanhas em geral é o poder juridiscional, a partir da representação dos legitimados, que seriam os candidatos. No Ministério Público também, as ações serão tomadas, e também nos TRE's e todo o sistema de Justiça", afirma Estela Aranha.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!As eleições de outubro deste ano vão marcar um momento em que "temos novas mudanças e cada dia mais as campanhas estão migrando para a esfera digital", avalia a ministra."E a gente está falando de plataformas que têm uma forma de entrega diferente, uma forma de fiscalização diferente, tem alguma opacidade maior, uma dificuldade de fiscalizar, por exemplo, o próprio financiamento de campanha. A questão do debate público, de como, de certa forma, sempre a gente tem os algoritmos priorizando a circulação de fake news ou de polarização, onde o debate é mais acalorado, que às vezes prejudica o próprio debate, a integridade da informação de formação do eleitor sobre isso", completa.Questionada sobre a atuação do TSE, Estela Aranha recorda que o ambiente digital "tem regras e serão aplicadas", mas reconhece que a corte tem "preocupações" num ambiente que ja está "bastante polarizado e acirrado".Numa comparação com o pleito anterior, a ministra avalia que "mais pessoas se informam pela internet, menos pessoas estão vendo a imprensa de modo geral. Imagino que vai ter menos impacto também as propagandas políticas eleitorais tradicionais. A internet vai entregar aquilo que tem mais engajamento, que é a confusão. E isso vai ser bastante difícil, a gente tem que tomar muito cuidado para que não suplante o debate que tem que ser feito no país. Que é legítimo de todos os participantes discutir, mas os projetos do país"..Sobre uma das teorias de desinformação que mais ganhou força nos últimos anos, que tenta descredibilizar as urnas eletrônicas, a ministra é enfática. "A gente, obviamente, tem todas as formas de verificar a confiança das urnas eleitorais. Temos uma experiência que é exemplo para outros países".Estela Aranha também reforça que a participação das mulheres nas várias esferas do poder no Brasil atualmente precisa aumentar."Tem crescido um pouco, a muita custa, muita luta, mas é uma dificuldade e é uma questão da democracia. A democracia vai ser plena quando ela tem uma representatividade e a representatividade inclui também gênero. E por isso que eu acho que a ampliação da participação das mulheres em todos os espaços de poder é muito importante para a consolidação da democracia e ealmente temos muitos passos para avançar".O videocast Radar DN Brasil foi gravado durante o XIV Fórum de Lisboa, nos dias 1, 2 e 3 de junho, com apoio da Fundação Getúlio Vargas e da FGV Justiça. Acompanhe pelo site do DN Brasil e canais no YouTube e Spotify..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.."Temos que nos afastar das redes sociais", diz especialista na área cultural do Brasil.Em Lisboa, próximo presidente do STJ explica função do tribunal. "Farol da Lei Federal" no Brasil