Portugal vai precisar de 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030 para garantir o equilíbrio financeiro da Segurança Social, é o que aponta um estudo desenvolvido pelo centro de formação Prepara Portugal, escola profissionalizante brasileira sediada em Portugal.A investigação analisa dados oficiais de 2010 a 2025 do Instituto Nacional de Estatística (INE), da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), da Pordata e do próprio sistema da Segurança Social, e olha para um indicador central da sustentabilidade das pensões, que é o equilíbrio entre quem trabalha e quem já está aposentado, os chamados "reformados" no país.De acordo com o levantamento, Portugal precisa ter dois trabalhadores e meio ativos para cada aposentado para assegurar o pagamento das aposentadorias nas próximas décadas. Atualmente, essa proporção está abaixo, situa-se em torno de 1,7 trabalhador por cada aposentado.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!“Com base nos registros oficiais, o estudo estima que, para atingir esse equilíbrio até 2030, seria necessário um reforço acumulado entre 1,2 e 1,3 milhão de trabalhadores ativos líquidos. Em termos estruturais, este volume corresponde à necessidade de compensar a saída de cerca de 500 mil pessoas para a reforma, num país marcado pelo envelhecimento da população”, explica Higor Cerqueira, criador e diretor pedagógico da instituição, citado em comunicado..Professores brasileiros em Portugal criam associação para enfrentar entraves na carreira docente.O estudo aponta o papel crucial que os trabalhadores imigrantes desempenham para o equilíbrio da Segurança Social. Cerca de 85% destes cidadãos encontram-se em idade ativa, entre os 18 e os 64 anos. Deste grupo, 67% estavam empregados em 2025.Este reforço da população ativa tem impacto direto no sistema de proteção social, já que há um número crescente de pensionistas para cada trabalhador ativo no país.Entre 2010 e 2025, as contribuições dos trabalhadores imigrantes à Segurança Social mais do que duplicaram, passando para quase 6% do total arrecadado, gerando um saldo líquido positivo face às prestações recebidas por este grupo. Ou seja: imigrantes contribuem mais com o sistema previdenciário português do que recebem em apoios ou subsídios estatais.Apesar destes indicadores, o estudo alerta para um risco estrutural. A demora para a validação de qualificações acadêmicas e profissionais dos estrangeiros e também nos processos administrativos para obtenção e renovação da residência legal faz com que muitos trabalhadores desistam de Portugal, fazendo o país perder este capital humano que contribui para a economia e para o sistema social.“A questão que Portugal precisa de enfrentar é quantas pessoas conseguem efetivamente trabalhar, contribuir e permanecer. Quando um profissional qualificado fica meses ou anos impedido de exercer, existe um custo direto para a economia e para a Segurança Social, porque essas contribuições deixam de existir”, afirma Higor Cerqueira..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Censo Tech indica que cerca de 57% dos profissionais de TI vieram do Brasil para Portugal já empregados.AIMA realiza melhorias nas plataformas online e começa convocação de entrega de cartões devolvidos