O presidente da Fundações Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mário Moreira, e a coordenadora do hub da entidade em Lisboa, Camile Sachetti.
O presidente da Fundações Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mário Moreira, e a coordenadora do hub da entidade em Lisboa, Camile Sachetti.Foto: Leonardo Negrão

Fiocruz articula pesquisa para entender condições de saúde e realidade social de brasileiros em Portugal

Pesquisa tem "propósito de fazer a mais perfeita possível demografia da população brasileira" no país, explica presidente Mário Moreira. Fiocruz intensifica cooperação a partir do seu hub em Lisboa.
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A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está em tratativas iniciais para desenvolver uma pesquisa que vai mapear as condições em que os brasileiros vivem em Portugal. O objetivo, segundo o presidente, Mário Moreira, é "fazer a mais perfeita possível demografia da população brasileira" no país, afirmou ao DN Brasil.

Durante a sua passagem mais recente por Lisboa, no final do mês de setembro, para cumprir várias agendas de cooperação a partir do hub da entidade na capital portuguesa, Mário Moreira discutiu o projeto com a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa, que vai entrar como parceira na execução. "É um projeto científico, acadêmico, mas que tem por trás também um grande interesse do Governo brasileiro em saber as condições em que os brasileiros estão vivendo aqui em Portugal", explicou o presidente.

Um dos motivos para o estudo é a falta de precisão de alguns dados. "Os números hoje, inclusive da população, não são tão precisos. Eu já escutei aqui três ou quatro projeções da população brasileira aqui, então nosso interesse é esse, a gente vai discutir e conhecer essa demografia", justificou Mário Moreira.

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Embora o objetivo seja abranger o maior número possível de cidadãos na pesquisa, o levantamento não pode ser considerado um censo, "porque a gente não vai entrevistar todas as pessoas", explicou o presidente da Fiocruz. "Mas a nossa ideia é usar todas as informações dos bancos administrativos do Governo português, de imigração, de saúde, dos bancos de arrecadação de impostos, tudo o que possa ir construindo um quadro geral dessa população. Eu acho que é um projeto muito interessante, tanto do ponto de vista acadêmico, quanto do ponto de vista também de política pública", ressaltou Mário Moreira.

Os Ministérios da Saúde de Brasil e Portugal já estão informados sobre o início das discussões sobre o tema. "Então a nossa ideia é ir elaborando esse projeto e depois apresentar a ambos para a gente colocá-lo em prática". Segundo Mário Moreira, a pesquisa "se soma" a uma ideia semelhante em desenvolvimento pelo Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, que quer mapear condições dos cidadãos residentes na capital portuguesa, "com foco inicial na população feminina".

A Fiocruz abriu, em 2026, um escritório oficial em Lisboa, para servir de hub internacional.
A Fiocruz abriu, em 2026, um escritório oficial em Lisboa, para servir de hub internacional.Foto: Leonardo Negrão

Metodologia

As questões que vão orientar a pesquisa ainda vão ser formuladas, e o estudo vai ficar a cargo das escolas de saúde pública dos dois países. "O método de a gente fazer essa demografia é um tanto quanto sofisticado, e a partir dali nós começamos a discutir quais são as questões que vão dar sentido à pesquisa, as questões que precisam ser respondidas tanto do interesse acadêmico, tanto do interesse do Governo português, como do interesse do Governo brasileiro também", disse Mário Moreira.

Segundo a coordenadora do escritório da Fiocruz em Lisboa, Camile Sachetti, a Casa do Brasil de Lisboa também vai participar da investigação. "A gente trouxe ela para conversar, junto com o consulado, e ela já tem um bom mapeamento da saúde da população brasileira, a questão da saúde mental, violência contra a mulher, enfim, muitas pautas que interessam a Fiocruz", destacou.

Mário Moreira confirmou que "os movimentos sociais envolvidos nas questões da população brasileira vão ter que ser chamados, porque eles é que conhecem as comunidades".

Hub em Lisboa

O escritório da entidade em Lisboa foi inaugurado este ano e faz parte "de um projeto de internacionalização da Fiocruz que está ganhando tração muito rapidamente", disse o presidente. "Portugal é o país número um em termos de instituições que cooperam com os nossos pesquisadores. França é o número dois", destacou Camile Sachetti.

Entre os temas discutidos na última passagem do presidente, cooperações em ciência e tecnologia, estudos na área do câncer, novos projetos e financiamentos estiveram na mesa.

"Esse escritório, eu tenho chamado de um hub que vai ter o papel de conectar os institutos da Fiocruz que estão mais ligados à tecnologia hard, eu diria, não somente, mas a produção de diagnósticos, de vacinas, de medicamentos, projetos de inovação, transferência de tecnologia, negócios mesmo, propriamente ditos, com o sistema análogo aqui em Portugal, a sua indústria, mas também até com a Europa, a gente também coopera bastante com outros países daqui desse continente", explicou Mário Moreira.

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