Ppara participar, não é preciso saber dançar.
Ppara participar, não é preciso saber dançar.Foto: DR

Psicóloga brasileira aposta na Biodanza para combater a solidão entre imigrantes em Portugal

Em entrevista ao DN Brasil, a profissional conta que vive a prática desde criança.
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Mudar de país significa recomeçar. Além de encontrar trabalho e organizar a nova rotina, muitos imigrantes enfrentam outro desafio: reconstruir a rede de apoio e criar novos vínculos. Foi nesse contexto que a psicóloga brasileira Danielle Tavares, radicada em Lisboa, apostou na Biodanza como uma forma de promover encontros, acolhimento e pertencimento entre pessoas que vivem longe de seus países de origem. A prática é um sistema de desenvolvimento humano que, através do movimento, da música, da emoção e do encontro, abre possibilidades para viver melhor.

Em entrevista ao DN Brasil, a profissional conta que vive a prática desde criança. “Comecei na Biodanza aos cinco anos de idade. Meu pai, Alberto Tavares, era psiquiatra e conheceu o criador da Biodanza em um congresso na Argentina. A partir desse encontro, começou a trazê-lo ao Rio de Janeiro, reunindo um grupo de aproximadamente 30 pessoas, entre médicos, médicas, psicólogos e psicólogas, interessadas em estudar essa disciplina, que na época ainda se chamava Psicodança”, recorda a carioca, que vive na capital portuguesa há oito anos.

A escolha pela capital foi uma mistura de fatores. “Eu escolhi Lisboa porque já vinha há muito tempo trabalhando na Europa, dando aulas em várias escolas de formação em Biodanza, e já tinha aqui um núcleo de amigos muito forte. Além disso, vim para fazer o mestrado em Estudos de Género”, detalha.

Conhecer a cidade também ajudou a montar o negócio. “Eu não comecei do zero. Quando cheguei a Portugal, já tinha aproximadamente um ano e meio de agenda com convites para dar aulas em escolas e formações. Isso me deu uma base sólida para desenvolver o trabalho aqui, mesmo com todos os desafios naturais de empreender em outro país”, ressalta. Outra área de atuação da brasileira é a psicologia, sendo que já tinha pacientes que atendia online.

A profissional também utiliza esta formação em psicologia na técnica da biodanza. “No plano emocional, a Biodanza promove uma reaprendizagem afetiva. A pessoa aprende a se escutar, a se conectar com o próprio sentir e também a escutar o outro. Esse reencontro com o sentir funciona como uma bússola para escolhas existenciais mais coerentes e relações mais saudáveis”, argumenta.

Há ainda outras vantagens, importante para quem é imigrante. “As pessoas tendem a se tornar mais cuidadosas, mais atentas, mais abertas à diversidade e menos preconceituosas. Passam a valorizar mais a comunidade, o vínculo e a convivência. Os seres humanos são seres sociais. Aprender a estar com o outro de forma saudável é fundamental para a nossa saúde, não apenas emocional, mas também física e existencial”, reflete. “A Biodanza pode ajudar muito na construção de vínculos, tanto para pessoas imigrantes quanto para qualquer pessoa”, acrescenta.

Trata-se de uma forma de construir redes de apoio, pontua. “Nós vivemos em uma civilização muito individualista, onde as pessoas vão se isolando cada vez mais. Isso gera consequências psíquicas e emocionais bastante complexas. Para quem migra, esse desafio pode ser ainda mais intenso, porque a pessoa precisa reconstruir redes, referências, pertencimento e comunidade”.

E é esse o resultado que vê em quem chega para as aulas.  “Muitas vezes dizem que sentiram que encontraram o seu lugar. Elas relatam uma sensação de pertencimento, de acolhimento, de familiaridade e de liberdade. Muitas chegam buscando uma prática de bem-estar, mas encontram algo mais profundo: um espaço onde podem se reconectar consigo mesmas, criar vínculos e redescobrir formas mais sensíveis de estar no mundo”, reforça.

E acrescenta: para participar, não é preciso saber dançar. Pelo contrário, a Biodanza não se baseia em passos formais nem exige qualquer conhecimento prévio de dança. O foco da prática está na vivência, na integração e na expressão dos potenciais humanos. 

O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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