Qual o seu limite?

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Já se fez essa pergunta?

Tivemos, nestes dias, a visita do bastonário da Ordem dos Advogados a uma das principais lojas da AIMA, situada nos Anjos, em Lisboa. Não por acaso, essa loja fica a poucos passos da sede da própria Ordem.

O ilustre bastonário constatou aquilo que já dizíamos desde a sua posse, no ano passado. Desde a reunião em que uma centena de advogados levou ao seu conhecimento o quanto a rotina da profissão era dura, marcada pelo desrespeito diário a todas as prerrogativas e reforçada pela posição humilhante a que a classe é submetida. Naquele dia, lembro-me de ele ter pedido que fôssemos mais sorridentes. Pergunto-lhe agora: o que viu na AIMA permite sorrir?

Alguns colegas fizeram seu desabafo, uns entre os mais próximos e outros junto à comunicação social. Depois de 11 anos vivendo neste país, entrego-me ao meu limite. Não sei quando começou. Não foi de uma hora para outra. Foi aos poucos. A cada dia, um direito a menos, uma grosseria, uma resposta atravessada diante de um pedido legítimo pelo cumprimento da lei.

A lei, que deveria ser o único norte possível para quem exerce uma função pública, parece ser justamente uma das menos respeitadas em nível nacional. A “lei do atendente”, como bem conhecemos, é uma dura realidade que precisa ser assumida por este e por qualquer outro governo que venha a substituí-lo.

A cultura da desobediência é lastimável e está na origem de muitos dos problemas que a Administração Pública impõe aos seus cidadãos, sejam eles imigrantes ou não. Eu, sozinha, represento mais de 15 mil indivíduos. Famílias inteiras que me oferecem um mandato, na certeza de que serei combativa na busca pelos seus direitos.

E pesa-me saber quantos não têm a oportunidade de ter um advogado ao seu lado. Bom seria que ninguém precisasse recorrer a nós para ter seus direitos respeitados. Bom seria se o Estado estivesse ao lado do homem simples, que paga impostos e sustenta a máquina pública. Bom seria se não estivéssemos todos “no limite”.

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