A mobilização nas redes sociais em prol de um protesto de imigrantes não se traduziu na vida real. Apenas cinco pessoas compareceram ao ato convocado em Lisboa, na Praça do Comércio. "O engajamento online não representa o engajamento real das pessoas, [a] luta real", explica ao DN Brasil Leonardo de Souza, do movimento popular UP, que apoiou a causa.Segundo o brasileiro, a falta do que chama de "trabalho de base" faz com que esses protestos não prosperem. "A leitura que nós temos sobre isso é de que engajamento em números na internet não se traduz em atividades no dia a dia de movimentos, de manifestações. Nós argumentamos sempre que o trabalho deve ser de base", defende.O imigrante detalha que o trabalho de base pode ser feito de várias maneiras. "É estar com as pessoas, estar em organizações estudantis, estar em organizações de trabalho, estar em organizações de mulheres, estar em organizações de pessoas em qualquer tipo de situação de vulnerabilidade", elenca. Da UP, estiveram três pessoas, que tentaram ajudar na mobilização do protesto tanto no Porto quanto em Lisboa.Os ativistas levaram megafone e panfletos, mas os materiais não foram utilizados. Leonardo deu como exemplo a mobilização contra o pacote laboral, com protestos nas ruas que influenciaram o projeto de lei, que acabou rejeitado no Parlamento.De acordo com o brasileiro, "Ter números online, visualizações, curtidas e likes, comentários como métrica, não se traduz. Isso acontece o que nós chamamos de comunismo de sofá. Eu quero a revolução, mas não tenho força na minha casa", destaca.Luan Almeida, também da UP, afirma que percebeu desde o início que a manifestação não daria certo. "A gente fez uma reunião prévia e vimos que não ia dar certo, mas viemos mesmo assim", conta."Esse movimento demonstra não só que as redes sociais não são um termômetro para demonstrar o quanto as pessoas estão engajadas em obter os seus próprios direitos, como também o fato de que elas não compreendem que o processo democrático não começa nas urnas, ou melhor, ele não termina nas urnas", ressalta a advogada Priscila Nazareth, que esteve presente.Na avaliação da advogada, autora de várias petições em prol dos imigrantes, os comentários nas redes sociais não representam o real. "Todo movimento social ele é construído, e ele é construído a partir de um ideal, e as pessoas não conseguem perceber que as redes sociais elas são um algoritmo, elas não são a essência daquilo que nós queremos representar. Portanto, você não vai mudar a partir dos comentários das redes sociais, isso é uma grande ilusão", critica, que também notou a ausência de outros colegas advogados de direitos humanos.O protesto foi organizado pelas redes sociais. No entanto, nem mesmo as lideranças estiveram presentes, por razões pessoais e de trabalho, apurou o DN Brasil. Entre as reivindicações estavam melhorias na Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA) e "mais dignidade" para a classe imigrante.amanda.lima@dn.pt.Comunidade brasileira organiza protestos por segurança jurídica e melhorias na AIMA.Em assembleia de cidadãos imigrantes, AIMA é uma das principais preocupações