Carlos Bitencourt fundou a Cafezal em Milão em 2015.
Carlos Bitencourt fundou a Cafezal em Milão em 2015.Foto: Leonardo Negrão

Criada por um brasileiro, cafeteria premiada como a melhor da Itália expande para Portugal

Cafezal é líder em cafés de especialidade, sendo hoje uma das maiores torrefações no cenário italiano. Marca acumula prêmios e traz a Lisboa cafés de topo do Brasil e outros países latinos.
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A loja já está com quase tudo pronto para abrir as portas, nos próximos dias, aos clientes em Lisboa. É a primeira empreitada da Cafezal fora da Itália, onde acumula os prêmios de 'melhor cafeteria' de 2025 pelo Bar Awards e 'melhor torrefação de especialidade' em 2026 pelo Gambero Rosso, publicação comparada ao Guia Michelin italiano. E tudo começou com a paixão de um engenheiro de produção gaúcho pelo mundo do café.

Carlos Bitencourt já vivia na Europa, atuando na sua área de formação em vários países. Fora do trabalho, começou a investir no gosto pessoal que tinha pelo café fazendo cursos voltados aos aspectos sensoriais da bebida. "Até que comecei a visitar lavouras no Brasil. Todo ano, quando eu ia de férias, muitas vezes eu acabava indo para Minas, para as regiões vulcânicas de café de São Paulo, para conhecer, me aproximar um pouco do mundo do café verde", conta o empresário ao DN Brasil.

A evolução natural do processo foi a criação da Cafezal. "Eu trabalhava em consultoria, fui morar na Itália. Só que a minha ideia naquele momento era abrir alguma coisa minha e o café começou a fazer sentido. Em meados de 2016 para 2017, comecei com a ideia, organizar o projeto pra abrir. Abrimos, no início de 2018, a primeira loja, que é num bairro bem central de Milão, chamado Brera", completa.

O objetivo, explica, "era fazer uma loja de café de especialidade que representasse efetivamente a italianidade moderna no mundo do café e não fosse simplesmente uma cópia, em termos estéticos, de uma cafeteria de Oslo, ou de Londres", afirma Carlos, destacando que "o Brasil também entra de maneira direta" no empreendimento.

"Primeiro porque o nome é Cafezal, e até em Portugal muitas vezes as pessoas não sabem o que quer dizer cafezal, que é uma palavra nossa para plantação de café. E justamente porque sempre acreditei muito no tipo de café brasileiro como realmente o café que tem mais força de representar um bom café no cenário mundial", explica.

Hoje, a Cafezal trabalha exclusivamente com cafés de produtores brasileiros, principalmente dos estados do Espírito Santo e Minas Gerais. "E começamos a ser cada vez mais reconhecidos como uma empresa que trabalha com cafés brasileiros e latino-americanos. Honduras, Peru, Panamá, toda essa linha de cafés", ressalta Carlos.

Cafezal vai encerrar 2026 com 40 toneladas de café de especialidade torradas na Itália.
Cafezal vai encerrar 2026 com 40 toneladas de café de especialidade torradas na Itália.Foto: Leonardo Negrão

Desde o início, a Cafezal já tinha a sua própria torrefação como aposta. Em 2025, torrou 26 toneladas de café. Este ano, deve encerrar alcançando a marca de 40 toneladas.

A torra ainda não vai ser feita localmente em Lisboa, o produto vai ser enviado da Itália, mas a ideia é ter nesta primeira loja internacional um pouco do que consolidou a marca aliado ao fato de Portugal "ter uma cultura muito forte de café".

Este foi também um dos motivos para a escolha do país para a expansão. "Lisboa é uma cidade que tem muito fluxo de expatriados e turistas e tem uma cultura muito parecida com a italiana em relação à cafeteria e é uma cidade que eu acho que acolhe muito bem atividades estrangeiras", diz o empresário, que avaliou outras capitais europeias.

Carlos também não esconde a conexão pessoal com Portugal. A família Bitencourt tem origem nas ilhas dos Açores. "Tenho um irmão que mora aqui, meus pais agora têm um apartamento aqui. Faz anos que frequento o país e a cidade, então eu internalizei que Lisboa era realmente uma boa cidade", afirma.

A equipe local começa com 10 funcionários, atendimento diário das 9h às 20h. A loja vai funcionar no coração da Baixa lisboeta, que terá, além dos cafés, um dos doces mais vendidos na Itália, o pastel de nata. "Nosso pasteleiro veio de Itália para aprender a fazer aqui e hoje a gente ficou conhecido como local para comer pastel de nata lá. Vendemos cerca de 1.200 pastéis de nata por semana nas lojas italianas.

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