Mais de 60% do eleitorado não compareceu às urnas no domingo em Portugal para escolher o novo presidente do Brasil. Em Lisboa, por exemplo, o maior local de votação do mundo, quase 50 mil eleitores deixaram de votar.O que explica essa baixa participação, mesmo entre aqueles que fizeram recentemente a transferência do título? O DN Brasil foi perguntar aos próprios eleitores e eleitoras.São várias as razões apontadas. A distância até os locais de votação, o preço dos combustíveis, o feriado prolongado e o receio de longas filas, enfrentadas em 2022, estão entre as principais.Marcelle Rocha, que vota em Lisboa e mora em Portalegre, explica que a distância e o preço da viagem, com a gasolina em alta, motivaram a decisão. "Moro no distrito de Portalegre e colocaram para ir em Lisboa votar. São mais de duas horas e meia de distância, fora o valor do combustível nas alturas", diz a imigrante ao jornal.Denise Cunha, que também está inscrita para votar na capital, acrescenta outra razão à distância: as filas que enfrentou no pleito de 2022. "Pela distância e pelas grandes filas da eleição passada", resume.No caso da brasileira, foram dois votos a menos, já que o marido não foi pelas mesmas razões. "Na eleição passada chegamos a ir, mas quando nos deparamos com a fila, e não se achava o final dela, resolvemos ir embora e justificar", conta. O casal já fez a justificativa neste primeiro turno. Para o segundo, no entanto, já decidiram diferente e vão votar.Vários foram os relatos que chegaram ao DN Brasil sobre a desistência de comparecer às urnas. "Eu e a minha família não fomos porque a última eleição foi um caos. Muito desorganizado, a fila era longa demais e levamos mais de 3 horas para chegar à cabine de votação. Não acho que valeria a pena nos sacrificar dessa forma de novo pelos candidatos que temos nesse momento", destaca Alessandra Roman Nobre.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Por outro lado, as longas filas enfrentadas por quem votou em 2022 não foram a realidade do último domingo. Com o aumento dos locais de votação, apenas nas primeiras horas houve filas, mas, ainda assim, foram bem mais rápidas em comparação com o pleito anterior. A organização deste ano foi amplamente elogiada pelo eleitorado.Mas a distância continua sendo um problema. No continente, os eleitores mais distantes do local de votação em Lisboa estão no distrito de Castelo Branco, a cerca de 280 km da capital. A viagem é de aproximadamente três horas de carro.No Porto, os eleitores mais distantes do local de votação estão em Bragança, a cerca de 205 km da cidade, numa viagem de aproximadamente duas horas e meia de carro. Já em Faro, os eleitores mais distantes podem estar na região de Vila Viçosa, no distrito de Évora, a cerca de 260 km. A viagem tem duração de aproximadamente três horas e meia de carro.A distância é ainda maior para os eleitores residentes nos arquipélagos dos Açores e da Madeira que estão inscritos para votar em Lisboa. Como o voto no exterior é concentrado nos locais definidos pela Justiça Eleitoral, quem precisa viajar até à capital portuguesa pode ter de percorrer centenas ou até mais de mil quilômetros de avião.Dos 134.797 brasileiros aptos a votar, 82.691 não compareceram às urnas, enquanto 52.106 participaram da votação, o que corresponde a uma taxa de participação de 38,66%. A maior abstenção foi registrada em Faro (66,62%), seguida por Lisboa (63,56%) e Porto (57,30%). Em 2022, a abstenção entre os brasileiros inscritos para votar em Portugal foi de 53,54%.Os eleitores que não votaram, estejam registrados em Portugal ou no Brasil, precisam obrigatoriamente justificar a ausência. Cada turno conta como uma eleição separada. Ou seja, quem não votou no último domingo pode votar no segundo turno, desde que esteja inscrito. Veja aqui o guia completo do DN Brasil sobre o assunto.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Lisboa teve votação tranquila e baixa participação do eleitorado brasileiro.Como justificar o voto nas eleições brasileiras