Associação Diásporas trabalhou com 50 assistentes operacionais no projeto CHOICE for Schools.
Associação Diásporas trabalhou com 50 assistentes operacionais no projeto CHOICE for Schools.Direitos reservados

Projeto brasileiro leva escolas de Cascais a destaque na Universidade de Columbia

Guia que tem como foco o trabalho das assistentes operacionais foi desenvolvido em iniciativa da Associação Diásporas e vai ser apresentado em novembro nos Estados Unidos.
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No próximo mês de novembro, a educação portuguesa vai ser destaque na prestigiada Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. A instituição vai dar palco para projetos educacionais de todo o mundo que aplicam metodologias e conceitos desenvolvidos pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire, em mais uma edição do programa Paulo Freire Initiative. Um dos trabalhos apresentados será o Guia de Boas Práticas Educacionais para Assistentes Operacionais de Portugal, um produto do projeto CHOICE for Schools, da Associação Diásporas, desenvolvido no Agrupamento de Escolas de Alapraia, na cidade de Cascais.

Fundada por pedagogas e outros profissionais brasileiros, a Diásporas tem como um dos focos o trabalho com migrações e de educação para a paz. Desde 2023, a associação trabalha junto com a Câmara Municipal de Cascais, no âmbito do programa Escola Promotora dos Direitos das Crianças, que traçou um diagnóstico dos estabelecimentos de ensino do agrupamento. Uma das preocupações assinaladas pela comunidade escolar foi com as questões da segurança, bem-estar, bullying e comportamentos mais violentos. Como a autarquia já conhecia o trabalho da Diásporas de outros projetos, propôs que o grupo desenvolvesse o CHOICE for Schools com foco nos direitos das crianças que estão associados às dimensões da proteção, segurança e bem-estar dentro da comunidade educativa, considerando que o tema não é apenas uma questão entre os alunos, é também dos adultos, da forma como se relacionam e desenvolvem uma rotina no ambiente de trabalho.

Helena Shimitz e Elisangela Rocha, membros da direção da Associação Diásporas.
Helena Shimitz e Elisangela Rocha, membros da direção da Associação Diásporas.Direitos reservados

Ao longo de três anos, o CHOICE foi aplicado por cinco integrantes brasileiras da Diásporas, além de uma americana, e trabalhou com alunos, professores e assistentes operacionais, sendo neste grupo que encontrou uma lacuna a ser preenchida. “Normalmente as ações são focadas muito nas pontas, estudantes ou professores, e as assistentes ficam nesse vácuo tanto de formação como, inclusive, de valorização. São profissionais muito desvalorizadas”, afirma ao DN Brasil Helena Schimitz, pedagoga e membro da direção das Diásporas. “Já vínhamos trabalhando com elas as questões de transformação de conflitos. Vendo o contexto nacional, vimos que não existia nenhum material específico em Portugal que fosse direcionado para essas trabalhadoras e que pensasse o trabalho delas, também, numa lógica de defesa do direito das crianças. Elas estão em todos os espaços. Na entrada, nos corredores, dando apoio nas salas, têm uma visão da escola muito global, mas nem sempre essa visão é levada em conta nos processos de decisão. Nem são incluídas no processo educativo”, avalia Helena Schimitz.

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O documento foi formulado de maneira coletiva e “vai numa lógica de pensar como é que essa trabalhadora pode construir um espaço de acolhimento dentro da escola”, diz a brasileira, levando em conta, inclusive, questões de interculturalidade, relevantes num ambiente que tem cerca de 1400 alunos e mais de 30 nacionalidades diferentes. “Quais são as práticas indicadas para conflitos com crianças num caso de xenofobia, num caso de racismo? Como é que eu faço, no fundo, o acolhimento dessa criança que sofreu ou está passando por alguma dessas coisas?”, reflete Helena Shimitz, destacando que o guia é uma forma de “reconhecer e pensar que esse [assistente operacional] é um trabalho essencial quando a gente está falando do direito das crianças”.

O guia deverá ser lançado também em novembro e vai ter as 50 assistentes operacionais que participaram do projeto como coautoras. “Elas não são só participantes, também estão muito ativamente decidindo o que que vai para o guia, como vai, tem esse processo de autoria coletiva também”, destaca a diretora.

A seleção para o congresso na Universidade de Columbia foi uma boa surpresa para o grupo. “Não imaginávamos ser selecionadas porque sabemos que o processo é bem rigoroso, é uma universidade de ponta, recebe muitos trabalhos de todo mundo e é uma conferência bastante importante na área educacional. Ficamos muito felizes. No fundo, é o reconhecimento de que o trabalho que nós temos feito aqui é importante. E também é um reconhecimento da experiência migrante, pois estamos a trazer essas tecnologias educacionais para o país”, celebra a pedagoga Helena Schimitz.

Texto publicado na edição de 20 de julho de 2026 do Diário de Notícias.

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