O Itamaraty atualizou o protocolo de atendimento a mulheres brasileiras no exterior vítimas de violência doméstica, em especial àquelas que possuem filhos. A medida está alinhada à recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que reafirmou que a violência doméstica é uma questão de interesse público e que requer ação do Estado.Ao DN Brasil, o governo brasileiro explica que “o tema da violência de gênero (incluindo a chamada violência vicária, em que o agressor utiliza os filhos para prolongar o controle e o abuso sobre a mulher) é prioritário no atendimento e na prestação de assistência a brasileiras no exterior, sendo objeto de diversas ações de prevenção e treinamento”. Em Portugal, segundo país com maior número de brasileiras e brasileiros, essas situações de violência são recorrentes nos atendimentos.Com as novas diretrizes, há atenção especial às mães com filhos menores. “Na rotina de prestação de assistência a mulheres, as repartições consulares e suas plataformas institucionais, como os Espaços da Mulher Brasileira no Exterior (EMuBs), deverão enfatizar a importância de formalizar denúncias de abusos, conforme a legislação e a prática locais.”Assim, esse registro “poderá habilitá-las a comprovar, por exemplo, que a retirada irregular de menor foi motivada por situação de risco”. Essa questão é particularmente relevante no contexto da Convenção da Haia, na qual a mãe pode ser considerada subtratora da criança se deixar o país, mesmo que para fugir da violência, sem a autorização do outro genitor. O apoio consular precisa ser formalmente registrado; assim, “o registro das repartições consulares também poderá auxiliar as genitoras brasileiras em eventuais definições de guarda no Brasil”.Com essas novas regras, reforça-se que as vítimas devem ser ouvidas de forma “humanizada e não inquisitiva, destinada a acolher a vítima e avaliar suas necessidades assistenciais no exterior e, eventualmente, no Brasil”. Caso a repartição consular conte com serviço de orientação jurídica e/ou psicológica, esses profissionais deverão ser acionados — é o caso de Lisboa, que já dispõe de ambos.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Há orientação para encaminhar a vítima a “instituições locais de assistência ou, se necessário, a abrigos”. Em Portugal, são poucos os locais com essa finalidade e com vagas disponíveis, segundo o DN Brasil. Os consulados devem manter um levantamento atualizado desses abrigos.Em casos considerados “extremos”, com necessidade de repatriação para o Brasil, na ausência de respostas de programas como os da Organização Internacional para as Migrações (OIM), poderá ser acionado o Ministério das Relações Exteriores. Nessas situações, “os pedidos de recursos deverão ser prontamente submetidos para avaliação, explicitando a condição da vítima e assegurando que tenham sido cumpridos os requisitos estabelecidos para a repatriação com recursos da União”.Nos atendimentos por telefone, “o agente consular deverá tentar assegurar que a vítima dispõe de autonomia para enviar mensagens e falar ao telefone, e que não está sendo coagida ou impedida pelo agressor de se comunicar livremente com o consulado”. Há também a possibilidade de “avaliar a oportunidade de notificar as autoridades policiais” e de “encorajar a vítima a fazê-lo”.Foi elaborado um guia rápido com as diretrizes de atendimento às vítimas de violência contra a mulher, além de um fluxograma de atendimento, para uso dos agentes consulares.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Espaço da Mulher Brasileira do consulado lança campanha "Você Tem Voz".Concurso 'Amigos do Brasil' vai premiar alunos e professores em Portugal para combater xenofobia nas escolas