Já são 17 anos de um sonho: transformar Lisboa na capital do cinema em língua portuguesa, de forma gratuita ao público. O Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa (FESTin) chega a mais uma edição, movido pelo amor à sétima arte e à cultura dos diferentes sotaques da língua portuguesa."Não pensamos na questão financeira, pensamos sempre em não desistir, em não abandonar o sonho das pessoas", afirma ao DN Brasil Adriana Niemeyer, uma das diretoras do festival. Este ano, o evento não contou com o patrocínio do Governo brasileiro por conta do defeso eleitoral, mas, mesmo assim, vai ocorrer. "A gente faz um plano do festival grande e vai adequando a situação e a realidade", destaca a jornalista, uma das mais antigas correspondentes brasileiras em Portugal.O FESTin começa na quinta-feira, dia 1º de outubro, e terá duração de 11 dias. Mais de 60 filmes serão exibidos no Fórum Lisboa, no Cinema City Campo Pequeno, no Auditório Camões e no espaço Avenidas - Um Teatro em Cada Bairro. Neste ano, o festival também celebra os 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), com uma programação que cruza "ficção, documentário, sessões especiais e mostras competitivas que atravessam as múltiplas geografias, identidades e memórias do espaço lusófono".A sessão de abertura terá a exibição da obra Verão da Lata. Nesta noite, as vagas já estão esgotadas, o que deixou as organizadoras surpreendidas. "Até nós ficamos surpresas em como as pessoas ainda estão interessadas, ainda querem ir no cinema, estarem juntas e depois discutir o filme", conta Adriana.De acordo com a jornalista, esta é uma das riquezas do festival em tempos em que o acesso ao cinema está nos celulares. "O contato entre as pessoas, entre os realizadores e o público é muito importante", destaca. A edição terá a presença de vários nomes importantes, como a cantora Fernanda Abreu e Miguel Falabella, que fará a sessão de encerramento com Querido Mundo.HomenagensA homenagem deste 17º FESTin será ao ator brasileiro Reginaldo Faria, que estará presente com o filho, Régis Faria. O cineasta é autor de Perto do Sol é Mais Claro, que será exibido na noite de 9 de outubro, às 20:00, no Fórum Lisboa, com pai e filho no palco. "É um filme muito poético e muito bonito", antecipa.Outro dos homenageados será o carioca Cavi Borges, considerado o maior produtor do Brasil na atualidade. "É um produtor que faz tudo em cooperativa e se reiventa, um pouco como nós no festival, com a ajuda de amigos, pela falta de incentivos", pontua a diretora.Uma das obras que retrata esse movimento do cineasta é O Cinema Possível, que será exibida no dia 7 de outubro, às 19:00, no Auditório Camões. Logo após, haverá a sessão do documentário Baile Soul, realizado pelo próprio Cavi Borges.A edição deste ano ainda terá uma exposição em parceria com a CPLP, com o tema "Verdes Plurais". A abertura está marcada para o dia 6 de outubro, às 18:00, na Casa Jardim da Estrela.Trata-se de uma exposição concebida especificamente para assinalar as três décadas da CPLP, tomando as questões ambientais como eixo curatorial. Estarão reunidos trabalhos "de diversos artistas contemporâneos do espaço lusófono e propõe uma reflexão alargada sobre a ecologia e as interdependências entre seres humanos e territórios, projetando futuros comuns que continuam a ser construídos entre as suas diversas realidades".A programação completa pode ser acessada aqui. Todas as sessões são gratuitas.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Festival de cinema no Porto dedica programação às migrações e ao desafio de viver "no país dos outros".Filme com Denise Fraga sobre brasileira que vai recomeçar a vida em Portugal estreia este mês