Depois de passar por Alfama, pelo Clube Oriental de Lisboa e outros espaços de Marvila, o Coletivo Gira está novamente em busca de uma casa. O grupo de samba formado por mulheres imigrantes anunciou que fará sua última roda no 8 Marvila nesta sexta-feira (25), após a confirmação de que o espaço deixará de funcionar. Em comunicado publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (23), as artistas afirmam que os antigos Armazéns Abel Pereira da Fonseca, onde funciona o 8 Marvila, serão demolidos em outubro para dar lugar a um empreendimento imobiliário. “A Gira está à procura de uma casa. Mas esta não é apenas uma questão nossa. É uma questão de cidade”, afirma o coletivo na publicação. As sambistas relacionam a perda do espaço à pressão imobiliária e à transformação de bairros de Lisboa, que, segundo o grupo, dificultam a permanência das pessoas e das atividades culturais que ajudaram a construir a vida desses locais. “Que cidade estamos construindo quando os espaços culturais podem existir enquanto são úteis para valorizar um território, mas desaparecem quando chega a hora de transformar essa valorização em negócio imobiliário?”, questionam..Em atividade desde 2020, o Gira se tornou uma referência entre as rodas de samba de Lisboa, reunindo um público formado por brasileiros, portugueses e imigrantes de diferentes nacionalidades. Em entrevista ao DN Brasil, em 2024, Kali Peres, uma das vocalistas e cavaquinista do grupo, explicou que a arte do grupo ia além da música. “A gente não consegue separar as duas coisas, o nosso posicionamento, quem nós somos. Nossas vivências estão completamente atreladas ao projeto”, afirmou a artista. Formado por mulheres LGBTQIAPN+, o coletivo defende o respeito à diversidade e mantém uma atuação ligada às causas feministas e ao combate ao racismo e à discriminação.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!A procura por um espaço fixo já fazia parte da trajetória do grupo. Depois de deixar Alfama, onde as artistas relataram episódios de violência e xenofobia, o Gira passou a se apresentar no Clube Oriental de Lisboa. Em janeiro deste ano, anunciou uma nova parceria com a Fábrica Braço de Prata. Na ocasião, Kali explicou ao DN Brasil que manter uma roda semanal era importante tanto para fortalecer a comunidade quanto para garantir estabilidade financeira às artistas, que vivem da música em Portugal. Agora, diante de mais uma mudança, o coletivo pretende dar um passo além: encontrar um imóvel que possa funcionar como sede da associação, com espaço para apresentações, ensaios, projetos e atividades de outros grupos culturais.“Não queremos apenas ocupar um espaço. Queremos ajudar a criar mais um espaço cultural em Lisboa”, afirma o Gira, que pede à comunidade brasileira indicações de imóveis disponíveis para aluguel, como armazéns, lojas e antigos espaços industriais, além de contatos com pessoas e instituições que possam colaborar com o projeto. As sugestões podem ser enviadas para contato@coletivogira.pt. A roda de despedida do 8 Marvila está marcada para esta sexta-feira, 25 de setembro, das 19h às 23h, com duas apresentações do coletivo e intervalo com a DJ Amy B. Mais informações acerca de ingressos podem ser encontradas neste link. .O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Rendas em Lisboa subiram 103% em dez anos e comissário europeu pede contenção no Alojamento Local.Coletivo Gira: brasileiras formam a roda de samba que se tornou referência em Lisboa