Roda de samba será todos os sábados ao fim da tarde, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.
Roda de samba será todos os sábados ao fim da tarde, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.Foto: Gerardo Santos

Coletivo Gira está de casa nova este ano e quer fortalecer comunidade

A Fábrica Braço de Prata é o local onde todas as semanas as mulheres do Coletivo Gira vão se apresentar. Sem abrir mão dos valores de diversidade e inclusão, entendem que a Fábrica atualmente está alinhada neste objetivo. A roda de samba será sempre aos sábados à tarde.
Publicado a

A partir do próximo sábado, a Fábrica Braço de Prata, em Marvila, é a nova casa do Coletivo Gira. A roda de samba formada por mulheres imigrantes será realizada todos os sábados no fim da tarde. Em entrevista exclusiva ao DN Brasil para anunciar a novidade, as artistas explicam que sempre priorizaram tocar no mesmo local, com o objetivo de formar e fortalecer a comunidade.

Depois de deixarem o clube Oriental em junho do ano passado, onde tocavam todas as sextas à noite, o coletivo passou a se apresentar em diferentes locais da cidade, mas em busca de uma nova casa fixa.“O nosso foco sempre foi ter um evento semanal em Lisboa para construir comunidade aqui. E isso é uma prioridade para nós”, explica Kali, uma das vocalistas do grupo e cavaquinista.

Além da construção desta comunidade, é uma estratégia para que tenham estabilidade vivendo da música em Portugal. “É para a gente conseguir também ter uma segurança, no sentido de que a gente tem que sobreviver, viver de música”, complementa a gaúcha. O Coletivo Gira hoje é a fonte de renda principal de dez pessoas, todas imigrantes, que já passaram pelos mais diversos empregos no país.

Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!

Em meados do ano passado, o coletivo realizou uma roda de samba na Fábrica, que foi um sucesso. “A gente vive um momento aqui na cidade que não é fácil nem ter espaços que vão acolher, nem ter uma boa estrutura. Na metade do ano passado voltamos a tocar aqui na Fábrica e tivemos um tratamento muito bom, com capacidade técnica”, destaca a artista.

Ao mesmo tempo, o coletivo, formado por mulheres LGBTQ+ não abre mão dos valores como diversidade, inclusão e posição política contra todos os tipos de discriminação. E essa visão surge também como um reconhecimento que o local vive novo momento. “A gente está muito feliz de estar aqui. É importante também reconhecer, porque quando as coisas são positivas, é importante falar. Porque a fábrica passou por todo um processo de mudança, de administração, de produção e aqui é um lugar especial”, ressalta Kali.

O produtor cultural João Inneco destaca ao jornal estar muito feliz com a parceria. “Vai ser incrível, porque o público vem aqui por isso mesmo, para ajudar a nossa gestão de comunidade. O grupo é virtuoso. Eu tenho dito que é uma presença também de um poder espiritual que devolve a saudade ao coração do brasileiro e da brasileira”, analisa. “O Coletivo Gira se apresenta de um lugar muito autêntico, que é um dos muitos dos Brasis que existem e quem não é de lá pode conhecer. Eu me sinto honrado por estar presente nesse momento”, pontua o brasileiro.

"Eu me sinto honrado por estar presente nesse momento”, diz ao jornal.
"Eu me sinto honrado por estar presente nesse momento”, diz ao jornal.Foto: Gerardo Santos

Ao DN Brasil, as sambistas antecipam que as apresentações terão novidades, com convite a artistas nas rodas de samba e também o lançamento de um disco neste ano. “Agora com a casa mais arrumadinha, com as parcerias todas que estão acontecendo, com o disco, com possibilidades muito grandes de coisas boas, a gente vai continuar reivindicar o direito à festa, o direito à comunidade, o direito ao encontro, sem ceder a nenhuma pressão”. Ao mesmo tempo, a agenda para shows em outros dias vai continuar aberta.

amanda.lima@dn.pt

Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias desta segunda-feira, 05 de janeiro de 2026.
O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
Roda de samba será todos os sábados ao fim da tarde, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.
Coletivo Gira: brasileiras formam a roda de samba que se tornou referência em Lisboa
Roda de samba será todos os sábados ao fim da tarde, na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa.
Alcione: “Quero que o meu canto deixe as pessoas bem”
Diário de Notícias
www.dn.pt