80 anos de vida, mais de 50 de carreira, uma ponte constante entre Brasil e Portugal e muita lenha para queimar. Dono de energia singular e carisma contagiante, Alceu Valença mostra, no tête-à-tête, as mesmas características que o colocaram entre os grandes símbolos da cultura popular brasileira nas últimas décadas."Palco para mim é vitamina. É alegria, é energia", conta ao DN Brasil, em entrevista concedida em seu apartamento nas proximidades do Castelo de São Jorge, em Lisboa, onde prepara mais uma apresentação - marcada para o dia 30 de outubro, no Coliseu dos Recreios. O show integra a turnê "80 Girassóis", que celebra suas oito décadas de vida.A história do pernambucano com Portugal começou em 1979, quando vivia em Paris e decidiu seguir um conselho do pai, que insistia para que conhecesse a terra dos antepassados da família. "Papai dizia: 'Alceu, você precisa conhecer Lisboa'." Na primeira visita, caminhou pelas ruas da capital portuguesa, subiu até o Castelo de São Jorge e se encantou pela região.Décadas depois, estabeleceu ali um dos seus endereços, embora não faça muita questão de definir onde vive. "No fundo, eu não sei onde é que eu moro. Minha vida é assim, posso estar um dia em Lisboa, outro em Olinda, outro em Goiânia, outro em Paris", brinca.A ligação com Portugal também se manifesta na música e no público que o acompanha nos últimos anos. Admirador do fado e da cultura portuguesa, Alceu conta que tem percebido cada vez mais portugueses em suas apresentações, além dos brasileiros que vivem no país.A internet, acredita, ajudou a derrubar fronteiras para artistas que, como ele, nunca abandonaram as próprias raízes. Para ele, a nova geração demonstra um orgulho das próprias referências que nem sempre existiu, especialmente quando iniciou sua carreira, no início dos anos 1970. "Antigamente, você teria, para poder acontecer, que ser anglófono. O domínio era tão grande que as pessoas tinham vergonha de sua própria musicalidade. Atualmente têm orgulho". Essa valorização da música brasileira também aparece quando o assunto são os novos artistas, como a pernambucana Maddu, radicada em Lisboa. "Maddu pode tocar um forró, Maddu canta frevo, Maddu dança frevo demais", elogia Alceu, que ainda destaca nomes como Almério, Martins e Juliana Linhares, que integram a programação da Estação da Luz, espaço cultural de Olinda ligado ao cantor. . Posicionamento políticoEm pleno período eleitoral no Brasil, Alceu também não foge da política. O cantor, que já tornou público seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT), considera necessário se manifestar, mas faz questão de lembrar que a decisão nas urnas cabe a cada cidadão. "É uma coisa que eu sinto necessária, eu me posicionar. É bom para a minha alma, para o meu espírito, para a minha verdade. Então me posicionei e pronto, acabou", afirma, ressaltando que "cada pessoa escolhe o seu candidato".Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!De volta aos palcos, "80 Girassóis" reúne diferentes momentos de uma trajetória iniciada nos anos 1970, de composições como "Agalopado" e "Espelho Cristalino" a sucessos como "Anunciação", "Tropicana", "Belle de Jour" e "Coração Bobo".O espetáculo também aposta em projeções de Rafael Todeschini, pinturas e fotografias do acervo pessoal do artista, preservado durante décadas por sua mãe e sua irmã. "Eu mostro várias facetas da minha obra, de várias épocas também", explica Alceu.Depois de passar por dez cidades brasileiras, a turnê chega ao Coliseu dos Recreios, em Lisboa, em 30 de outubro, segue para o Convento São Francisco, em Coimbra, no dia 31, e termina a passagem portuguesa no Coliseu do Porto, em 1º de novembro.A turnê segue depois por outras nove cidades europeias, incluindo Amsterdã, Londres, Paris, Berlim e Oslo. E, se depender de Alceu, ainda há muita estrada pela frente. Aos 80 anos, o pernambucano descarta a possibilidade de diminuir o ritmo ou se despedir dos palcos. "De maneira nenhuma", garante, afinal, como ele próprio resume, "o palco dá alegria, vitalidade"..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Turnê de celebração dos 80 anos de Alceu Valença passa por Portugal em 2026.Alceu Valença. “Eu tenho anos e anos e anos de lusitanidade aqui dentro”