A audiência no Parlamento sobre a Lei da Nacionalidade terminou com questionamentos sobre a eficiência do Estado, que não cumpre os prazos previstos nessa legislação. “Como falar sobre eficiência estatal se um conservador analisa um caso de nacionalidade por dia?”, questionou a advogada brasileira Priscila Narazeth Ferreira, criadora de uma das petições analisadas.Inicialmente, Priscila e mais duas peticionárias — a advogada Elaine Linhares e a ativista Juliet Cristino — apresentaram vários argumentos pela manutenção do prazo para o pedido de nacionalidade previsto na Lei da Nacionalidade e pela criação de um regime de transição. Um dos principais pontos destacados é que o governo nunca regulamentou a mudança na lei aprovada e sancionada para contabilizar o tempo de espera pelo documento, que pode levar anos.Mais do que isso, as advogadas chamaram a atenção para a conhecida “lei do atendente”, tão familiar aos imigrantes. “Essa norma nunca esteve em prática”, disse Priscila, acrescentando que cada balcão de conservatória tem sua própria regra, e lembrou que o mesmo vale para os balcões da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA).“É incrível que os senhores não consigam olhar para isso e reconhecer que é óbvio que as coisas acontecem dessa maneira. Basta olhar as redes sociais, os comentários das pessoas, isso é transversal. A gente não está só falando de imigração, está falando de como o Estado opera. E hoje o PSD é o Governo, e as coisas continuam sendo assim”, criticou.A advogada ressaltou que essa atitude fere três princípios da administração pública. “O princípio da boa administração, que deve pautar-se por critérios de eficiência, economicidade e celeridade. O princípio da imparcialidade: a administração deve tratar de modo imparcial aqueles que com ela entram em relação, designadamente com objetividade e igualdade de tratamento”, explicou.O terceiro é o princípio da boa-fé, segundo o qual, em todas as suas formas de atuação, tanto a administração quanto os particulares devem agir de acordo com esse critério, complementou. A advogada Elaine Linhares ainda destacou que enfrenta a mesma situação, em que cada balcão faz sua própria regra.Isso mudou um pouco quando foi disponibilizada a possibilidade de envio de pedidos de nacionalidade, no final de 2024. No entanto, apenas advogados possuem acesso. Sobre isso, Juliet Cristino aproveitou a oportunidade para pleitear que essa plataforma seja disponibilizada também aos cidadãos.O futuro da Lei da NacionalidadeO DN Brasil sabe que a questão está fechada para o governo. Após o chumbo do Tribunal Constitucional (TC), os pontos considerados inconstitucionais serão revisados e enviados novamente ao Parlamento. Aquilo que não foi avaliado pelo TC vai permanecer, como o fim da possibilidade de nacionalidade por meio de filhos nascidos em Portugal. Leia mais detalhes sobre isso aqui.Não é necessário rever toda a lei, o que torna o processo mais rápido. No caso da Lei dos Estrangeiros, o Governo conseguiu aprovar a nova lei poucos dias após o chumbo do Tribunal Constitucional. O texto deverá voltar ao Parlamento após o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 8 de fevereiro.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Sustentabilidade da Segurança Social? Só com 1,3 milhão de novos trabalhadores até 2030, aponta estudo .Lei da Nacionalidade. O que "não passou", o que "passou" e os próximos passos