Documento alcançou quase oito mil assinaturas.
Documento alcançou quase oito mil assinaturas. Reinaldo Rodrigues

Após petição, Parlamento vai discutir contagem do tempo espera pelo título para nacionalidade

Audiência foi marcada pela Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias para o dia 27 de janeiro, às 11h30.
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Uma audiência no Parlamento vai discutir a contagem do tempo de espera pelo título de residência para o pedido de nacionalidade portuguesa. A discussão é resultado de uma petição criada pela advogada brasileira Priscila Nazareth Ferreira, que alcançou quase oito mil apoiantes.

A Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias marcou a audiência para o dia 27 de janeiro, às 11h30. Outra petição semelhante, da brasileira Juliet Cristino, também será discutida no mesmo encontro.

O argumento que será defendido pela profissional é o de que o artigo da lei, atualizada em 2024, “nunca foi plenamente implementado”, afirma a advogada em comunicado de imprensa. A lei considera válido o tempo de cinco anos para o pedido de nacionalidade, “mas o direito dos imigrantes foi comprometido pelo fato de órgãos públicos não cumprirem os princípios de eficiência, celeridade e boa administração”, complementa.

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Na aprovação das últimas alterações da lei, consta que o tempo de espera pelo título de residência não pode ser contado para o pedido de nacionalidade. Na prática, milhares de imigrantes ficaram trabalhando e contribuindo para a Segurança Social por até três anos enquanto aguardavam a decisão sobre o documento e “perdem” esse tempo.

O Tribunal Constitucional (TC) avaliou essa norma específica e não a considerou inconstitucional. Ou seja, o Governo não precisa alterar esse ponto da lei na nova votação que deverá ocorrer em breve.

Participação popular

A realização de uma audiência no Parlamento é obrigatória sempre que uma petição alcança mais de 7.500 assinaturas e atende aos requisitos do Parlamento. No entanto, não garante a aprovação, que depende da vontade dos partidos.

As petições são um mecanismo de participação da população no rumo das leis. Por exemplo, se o número de apoiantes de uma petição com projeto de lei ultrapassar 20 mil, a Assembleia da República é obrigada a votar a proposta. É o que aconteceu no caso da iniciativa para criminalizar o racismo, que alcançou este montante de assinaturas e será votada depois de março.

A própria inclusão dessa medida na lei (de contabilização do tempo de espera pelo documento) foi originada por uma petição da brasileira Juliet Cristino, em 2023. A lei foi aprovada com votos da esquerda e sancionada pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa. No entanto, nunca esteve em vigor na prática. Neste meio tempo ocorreu a troca de Governo do Partido Socialista (PS) para o PSD, que havia votado contra e nunca concordou com essa possibilidade, por isso não a regulamentou.

amanda.lima@dn.pt

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