Socos, violência sexual e medicamentos à força: brasileiros presos em Portugal torturavam pacientes em clínica
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Socos, violência sexual e medicamentos à força: brasileiros presos em Portugal torturavam pacientes em clínica

A prisão aconteceu nos Açores, após 12 anos entre investigação e condenação com sentença em trânsito e julgado.
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Remédios à força, agressões físicas e sexuais, ficar amarrado no chão molhado e ensaboado, proibição de dormir. Estas são algumas das torturas praticadas por dois brasileiros presos em Portugal, após o trânsito em julgado da condenação no Brasil.

Os detalhes da violência foram divulgados pelo promotor Aroldo Costa Filho, que investigou o caso, iniciado em 2014, em Ribeirão Preto. Marluci Cabrera Bellini Henares e Djalma Antônio Henares Júnior, na época um casal, atuavam em uma clínica de reabilitação na cidade.

Segundo o promotor, em entrevista ao G1, os pacientes eram agredidos com socos, pedaços de madeira e também violentados sexualmente com diferentes tipos de instrumentos. Eles ficavam amarrados e jogados no chão molhado e ensaboado durante várias horas.

Os pacientes também eram obrigados a ingerir uma mistura conhecida como "danoninho", explica o promotor. “Eles até utilizavam uma expressão chamada 'danoninho', falavam: 'ele vai ter que tomar o danoninho', 'eu tomei o danoninho', que era um medicamento em gotas que era colocado na água e eles eram obrigados a ingerir”, detalhou.

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Outra forma de agressão era a violência psicológica. Os internos eram obrigados a ficar sentados olhando para árvores por horas seguidas e, se pegassem no sono, eram acordados com socos e outras agressões físicas. Todos eram vigiados por câmeras pelo casal durante 24 horas por dia.

Marluci e Djalma deixaram o Brasil e fixaram residência em Portugal enquanto ainda podiam sair do país. O casal, que depois se separou, se refugiou na ilha de São Miguel. Djalma posteriormente se mudou para o continente e se casou novamente. Ele atuava como psicólogo. Já Marluci trabalhava como professora de zumba e tinha uma vida ativa na comunidade.

As prisões ocorreram um mês após a condenação definitiva pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As autoridades brasileiras já pediram a extradição do casal, para que cumpram no Brasil a pena de 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado.

amanda.lima@dn.pt

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