O estudo conduzido pela psicóloga mapeia a interação entre o vínculo identitário à profissão.
O estudo conduzido pela psicóloga mapeia a interação entre o vínculo identitário à profissão.Foto: Canva

Psicóloga brasileira investiga impacto do fim do acordo entre Ordem dos Advogados do Brasil e de Portugal

Questionário está aberto para participação.
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Em julho de 2023, foi notícia que chegou ao fim, sem aviso prévio, o acordo entre a Ordem dos Advogados (OA) de Portugal e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A cessação do acordo, de forma unilateral por Portugal, pegou de surpresa profissionais de ambos os países, causando prejuízos financeiros e emocionais.

É justamente esse impacto que a psicóloga brasileira Juliana Ribeiro de Souza Revoredo tenta analisar. "Centenas de advogados brasileiros viram seus planos de vida desabarem da noite para o dia. Fiquei tocada ao perceber o peso humano dessa decisão: famílias em incerteza, carreiras interrompidas e aquele vazio que só quem já perdeu o chão da sua identidade profissional sabe o que é", explica ao DN Brasil.

Segundo a especialista, esse tipo de mudança causa estresse de forma profunda. "Situações assim ativam circuitos profundos de estresse que nos fazem questionar quem somos quando aquilo que nos 'define' é retirado. Vi a urgência de transformar essas histórias em ciência, documentando com dados o que os corações desses profissionais resilientes estão vivendo há quase três anos", detalha a imigrante, mestranda em Psicologia Social e das Organizações na Universidade Europeia (Lisboa).

A ideia da pesquisa surgiu ao ver as notícias. "Foi quando os relatos desses profissionais começaram a aparecer nas redes sociais e nas notícias. Um cenário de desespero e desamparo total que eles próprios compartilhavam. Cada história trazia aquele orgulho profissional misturado com um vazio profundo e desestabilização — um futuro inteiro interrompido da noite para o dia, sem aviso prévio. Para mim, aqueles relatos soavam como gritos silenciosos de sentimentos de injustiça e insegurança jurídica", ressalta.

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O tema está em linha com os interesses acadêmicos de Juliana. "Profissionalmente, esse tema se encaixa perfeitamente no contexto do meu mestrado em Psicologia Social e das Organizações e, consequentemente, na minha dissertação sobre identidade profissional e adaptabilidade de carreira. Vi a oportunidade de aplicar a Psicologia Social a um caso real, atual e ainda não estudado cientificamente."

O estudo conduzido pela psicóloga mapeia a interação entre o vínculo identitário à profissão, as expectativas emocionais de futuro e as estratégias profissionais de adaptação em cenários de crise regulatória. Para isso, foi criado um questionário com perguntas sobre o tema. A pergunta central é: "Como a forte identificação como advogado(a) brasileiro(a) influencia a construção de novas perspectivas de carreira para esses profissionais em Portugal após o rompimento unilateral do acordo de reciprocidade entre as ordens luso-brasileiras?"

A mestranda assegura que todas as respostas são confidenciais. "A sua participação documenta essa transição histórica", finaliza. O link de acesso ao questionário está aqui.

amanda.lima@dn.pt

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