A vivência e o contato com diferentes culturas, algo que marcou sua vida e trajetória, é algo que Gilberto Gil não abre mão mesmo aos 84 anos. Depois de ter anunciado a sua despedida das grandes arenas com a turnê Tempo Rei, que passou pelo Porto e por Cascais nos últimos meses, o músico brasileiro faz questão de manter uma ponte constante e viva com Portugal, que terá seu próximo capítulo em Lisboa no dia 10 de outubro.Desta vez, no entanto, o mestre da Música Popular Brasileira (MPB) subirá ao palco do Coliseu dos Recreios num formato completamente diferente, com a participação na ópera-canção Amor Azul. Concebido em parceria com o maestro italiano Aldo Brizzi, o espetáculo é inspirado no Gita Govinda, poema clássico da literatura indiana que narra a história de amor entre as divindades Krishna e Radha.Para Gil, o contato com Portugal vai muito além da agenda de espetáculos. É um movimento necessário e fundamental para aproximar povos e quebrar barreiras do ódio e da intolerância que voltam a estar em voga, especialmente através das redes sociais, hoje em dia. "Os públicos, através do consumo da cultura, aproximam-se. Eles diminuem as distâncias entre os seus modos de viver, os seus modos de se comportar, os seus modos de interpretar a vida cultural do Brasil e de Portugal", afirmou o artista, em entrevista exclusiva ao DN Brasil.Para o músico baiano, essa integração afetuosa é uma via de dois sentidos que só tem se aprofundado com o intercâmbio entre Brasil e Portugal nos últimos anos: "Essa vida tem sido estreitada cada vez mais: cada vez mais somos portugueses e cada vez mais Portugal é brasileiro. Nos respeitamos, nos queremos cada vez mais, de forma cada vez mais profunda", acredita.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Essa cumplicidade com o público português não vem de hoje. A primeira passagem de Gil por Lisboa aconteceu em 1969, a caminho de Angola, e consolidou-se no início dos anos 1970, durante o exílio em Londres, quando o país funcionava como um refúgio afetivo."Sempre fui muito bem recebido pelo público português. Desenvolvi uma relação muito amorosa, muito calorosa com Portugal. É uma terra de que gosto muito e que tem uma presença muito forte na nossa cultura, nos nossos costumes e nos nossos hábitos sociais", recorda, citando referências que vão da matriz histórica de Amália Rodrigues à intensa troca musical contemporânea que testemunhou entre os dois lados do Atlântico.No palco do Coliseu, a voz de Gil estará inserida numa estrutura grandiosa que reúne o Núcleo de Ópera da Bahia, o coro Phydellius e a Lisbon International Symphony Orchestra. Mergulhar na linguagem erudita, diga-se, representou um desafio inédito para quem fez da canção popular a sua grande marca.."A ópera é um gênero diferente do mundo da canção popular. Tem cânones, aspetos estruturais próprios e, portanto, é um desafio para um artista que está habituado à canção popular pura e simples", explica Gil ao falar de um espetáculo que cruza a tradição lírica europeia, a sonoridade baiana e a espiritualidade oriental.A apresentação em Lisboa surge na reta final da digressão Tempo Rei, apresentada como a despedida dos grandes concertos em estádios e arenas perante multidões. Mas quem teme uma aposentadoria definitiva dos palcos pode ficar tranquilo: o objetivo do artista é apenas ajustar a escala dos espetáculos - e manter Portugal no mapa. "Me reservo o direito e o prazer de continuar me apresentando de um modo mais modesto, de um modo mais simples, tanto aqui no Brasil como em outros lugares, inclusive Portugal", garante.O espetáculo Amor Azul terá apresentação única no palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa, no dia 10 de outubro, às 21h. Os ingressos já estão disponíveis para venda..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Djavan volta a Portugal em 2026 com turnê que celebra 50 anos de carreira.Gilberto Gil volta a Lisboa com espetáculo sinfônico no Coliseu dos Recreios em outubro.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.