No dia 5 de outubro de 1910, o político republicano José Relvas, junto com uma comitiva de apoiadores, subiu para a varanda da Câmara Municipal de Lisboa e proclamou a instauração da "República Portugueza". O ato foi resultado de um movimento que ganhou força em 1908, quando o então rei Carlos I foi assassinado na Praça do Comércio.O desgaste com a monarquia já existia no país, que passava por crises econômicas, pressão com as lutas nas colônias africanas e descontentamento da população com questões sociais. Com a revolução do dia 5 de outubro, D. Manuel II, o herdeiro que sucedeu Carlos I, foi obrigado a fugir para o exílio e se tornou o último rei de Portugal.E como o Brasil acompanhou tudo isso?Nos dias que antecederam a revolução, o Presidente do Brasil, Marechal Hermes da Fonseca, tinha chegado com uma comitiva para uma visita a Portugal. No dia 3 de outubro, D. Manuel II ofereceu um jantar em honra do convidado brasileiro no Palácio de Belém, um evento que entrou para a história de Portugal como o último banquete oferecido por um rei.A articulação dos republicanos já estava intensa. Logo após o banquete, D. Manuel II seguiu para o recolhimento no Palácio das Necessidades, enquanto conflitos aconteciam por Lisboa. No dia 4, os bombardeamentos em vários pontos da capital foram testemunhados pela comitiva brasileira, que estava a bordo do navio couraçado São Paulo, atracado no rio Tejo. Assim, o Marechal Hermes da Fonseca chegou a Portugal ainda na Monarquia e deixou o país já como uma República.Como testemunhou todo o processo de perto, coube ao país-irmão ser o primeiro a reconhecer o novo regime portguês. No dia 22 de outubro o governo brasileiro enviou uma mensagem oficial em que escreveu sobre os votos "que o Brasil inteiro faz pela felicidade da nobre Nação Portuguesa e do seu Governo e pela prosperidade da nova República"..Valores da RepúblicaO dia 5 de outubro é feriado nacional em Portugal, sempre marcado por solenidades em celebração à instalação da República. A cerimônia oficial deste ano foi a primeira do atual Presidente, António José Seguro, eleito em janeiro.No seu discurso, o Presidente afirmou que a República cumpre a sua promessa quando uma pessoa "sente que tem lugar" e consegue cumprir-se a si própria e defende uma "nova política" de compromissos duradouros. Seguro também lembrou as conquistas nos 116 anos de República, incluindo a universalização da educação, o recuo da mortalidade infantil e o Estado social, afirmando que Portugal tem de ser "país onde ninguém seja deixado para trás" e a República tem de valer "a pena na vida das pessoas" todos os dias.Para isso, diz ainda o Presidente, é necessário "uma nova cultura política" feita de "compromissos interpartidários" para estabelecer "soluções duradouras" que não mudem com as legislaturas e os governos..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..5 de Outubro. Seguro quer "nova política" feita de "compromissos duradouros".7 de Setembro: Marcelo diz que brasileiros são "muito bem-vindos" em Portugal