Quando o mercado de criptoativos ainda não existia como hoje, o Mercado Bitcoin (MB) já apostava nesse futuro. Em 2013, a empresa iniciou a conquista do mercado brasileiro e da América Latina. Uma década depois, voltou os olhos para a Europa, estabelecendo uma base em Portugal e mirando um mercado de cerca de 440 milhões de pessoas, conta ao DN Brasil o CEO Reinaldo Rabelo.“Em 2022, fizemos a aquisição do controle da empresa portuguesa Criptoloja, que já tinha a licença do Banco de Portugal, que é o regulador. Agora, em 2025, adquirimos totalmente a participação dessa empresa e a integramos à operação brasileira, já pensando nessa expansão a partir de Portugal para a Europa”, destaca. “Nesse processo, de 2022 até aqui, crescemos de forma orgânica, exclusivamente em Portugal”, complementa.Na primeira aquisição, os sócios fundadores portugueses permaneceram na operação, o que foi fundamental para “liderar a empresa em Portugal e crescer”. A empresa está em vias de receber o aval do regulador português para ter acesso pleno ao mercado europeu.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!O CEO acredita que a experiência de ter iniciado a operação em um mercado continental, como o Brasil, é um diferencial importante. “Desde o início, em 2013, o MB pensou o bitcoin – à época, o único ativo existente – como um produto capaz de unir essa nova tecnologia, o blockchain, ao mercado financeiro tradicional. Essa é, em essência, a nossa tese desde então, em um mercado com 220 milhões de pessoas e com fundos americanos começando a entrar”, ressalta.Rabelo acompanhou e participou de todo o crescimento desse mercado e das discussões sobre o que, na época, era uma novidade cercada de desconfiança. “Já vivemos no Brasil esse processo de educação sobre os criptoativos, de superar o preconceito. Acredito que vamos, de certa forma, participar dessa mesma discussão aqui na Europa, embora hoje o mercado seja mais maduro”, avalia.O grupo MB conta com 450 colaboradores, dos quais 15 estão dedicados integralmente à operação em Portugal. Com a aprovação da licença – expectativa do CEO –, a empresa pretende ampliar a equipe. “Essa é outra vantagem de Portugal: temos uma mão de obra altamente qualificada na área de tecnologia”, afirma.App Vera Dessa união entre Brasil e Portugal nasceu a Vera, um aplicativo que permite aos usuários da corretora de ativos digitais realizar operações diretamente pelo WhatsApp. “É um pouco do que aprendemos no mercado brasileiro. Acho que uma das qualidades do mercado financeiro do Brasil é justamente a capacidade de adotar inovação e tecnologia de forma segura. Até porque sabemos que há um grande número de usuários, volumes muito altos e também riscos elevados de fraude e falhas. Por isso, os processos são intensamente testados, e só permanecem aqueles que passam por esse crivo”, argumenta.Observando o aumento do uso do WhatsApp, surgiu a ideia. “No Brasil, percebemos esse movimento de migração para o WhatsApp, além da web e dos aplicativos. Uma grande referência para nós é a Mag, uma aplicação que criou um banco dentro do WhatsApp. Acompanhamos a evolução da experiência deles, inclusive nas interações com o Banco Central do Brasil, e entendemos que esse era um caminho. Então levamos isso para o mercado cripto – até onde sabemos de forma pioneira no mundo – e colocamos a nossa plataforma dentro do WhatsApp, aqui em Portugal”, explica. A tecnologia utiliza inteligência artificial para realizar as transações.“A Vera é um case em que acreditamos muito para a Europa. Também pesquisamos bastante para entender se o continente tinha uma penetração do WhatsApp semelhante à do Brasil, e vimos que sim.” Para ele, essa é uma tendência clara. “É um movimento que veremos cada vez mais no mercado e que deve facilitar muito a vida das pessoas, permitindo que usem o WhatsApp para cuidar do dinheiro, dos investimentos e das aplicações.”amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Braza quer transformar comida de shopping em destino de churrasco.O fim do périplo de Lula pela Europa, com destaque para Portugal