Ainda estamos em maio. O famoso mês das mães é também o mais escolhido pelas noivas para realizarem seus casamentos. Conheço várias mulheres que escolheram esse período do ano para casar-se.Há muita relação com o clima. A temperatura amena, tanto no Brasil quanto em Portugal, facilita a escolha. Mas há a velha tradição. Aquela mesma que liga as mulheres às regras sociais e religiosas, de pureza e de fidelidade, que não são seguidas pelos homens. Duas marcas que nos tempos atuais se tornaram prejudiciais, e que são refletidas em dados.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsAppO espelho que transmite as incoerências do que as regras sociais instituem está pendurado na sala de estar para todos verem. Em Portugal, por exemplo, o número de mães solo, aquelas que cuidam sozinhas de seus filhos, em famílias chamadas monoparentais, cresceu mais de 20% na última década, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). São mais de 580 mil mulheres cuidando sozinhas de seus filhos em solo português..O aumento de mães solo também é um retrato do crescimento do número de divórcios em Portugal. No país, o índice de divorciados já é maior que o de viúvos. E olha que o país tem uma população em avançado envelhecimento. Ainda que o casamento não deva estar atrelado à obrigação que os pais precisam ter com os filhos, as arestas que traçam os cenários de mães solo e de divórcios acabam se cruzando na estrada social portuguesa.No Brasil não é diferente. No irmão português, o modelo de família solo é uma gestação vitaminada ao custo da saúde mental e física das mulheres. Por aqui, já são mais de 11 milhões de mulheres carregando sozinhas o cuidado com os filhos. As mães solo do Brasil já superam a totalidade da população portuguesa, com um agravante: segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 57% delas vivem abaixo da linha da pobreza.Não à toa, a camada de mulheres solteiras e que optam por não ter filhos cresce na mesma proporção das que precisam assumir sozinhas a responsabilidade pelo cuidado dos filhos. Ser mãe solo se tornou quase uma regra de sobrevivência para as mulheres que buscam romper as gaiolas no qual a sociedade as coloca ao longo da nossa existência.São similaridades que norteiam as realidades das mulheres, tanto no Brasil quanto em Portugal. O avanço social aponta que o futuro das famílias é sustentado pelo pilar da solidão feminina. Ser mãe tem se transformado em uma árdua tarefa solitária. Por maior que seja o amor, nada evita o peso que as mulheres enfrentam em ter de criar um filho sozinhas..Será o fim do sonho português? .Carne brasileira barrada pela União Europeia? Entenda decisão do bloco que vê risco sanitário na produção