Importar produtos não é um bicho de sete cabeças

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O brasileiro é um povo empreendedor por natureza. Isso não está em causa e, não por acaso, grande parte dos imigrantes, quando deixa o Brasil em busca dos seus objetivos, traz na bagagem muito mais do que malas e objetos pessoais. Eles trazem muitas vezes o desejo de iniciar o próprio negócio, trabalhar por conta própria e aproveitar as oportunidades que enxergam no novo mercado.

E a importação de produtos brasileiros, de olho não só nos conterrâneos que por aqui vivem, acaba sendo uma oportunidade enxergada por muitos para dar forma a esse desejo de caminhar pelas próprias pernas. Mas desenvolver um negócio fora, onde há um conjunto de leis e obrigações diferentes, somado às dificuldades de entender as regras próprias do comércio exterior, acaba se ganhando forma bicho de sete cabeças. Não precisa ser assim. 

Trabalhar com a importação de produtos requer atenção máxima às legislações dos dois países, aos costumes do mercado local e às regras do comércio exterior, mas, com um pouco de conhecimento e planejamento, vai ver que o bicho, afinal, nem tem assim tantas cabeças.

Se pretende empreender investindo na importação de produtos, é importante conhecer alguns termos e compreender minimamente como funciona o processo. Do ponto de vista prático, vai precisar ter atenção aos seguintes pontos:

Em primeiro lugar, logo que definir o produto a ser importado e estabelecer contato com o fornecedor, é preciso certificar-se de que o item em causa pode ser importado para a Europa. Para isso, vai precisar classificá-lo corretamente, conforme o seu código pautal (uma espécie de CPF do produto), e consultar a pauta aduaneira, disponível no site da Autoridade Tributária. O objetivo é confirmar se ele pode entrar na Europa e quais os procedimentos e licenças serão obrigatórios para conseguir liberar a carga.

Vejo aqui muitos erros, principalmente cometidos pelos importadores de primeira viagem, que deixam para se preocupar com este ponto só depois de a carga estar a caminho ou quando já chegaram a Portugal. Se o item não puder entrar, vai perder todo o investimento. 

Outro erro muito comum que pode inviabilizar o negócio está na identificação de quem compra os produtos. Uma importação comercial pressupõe que a negociação seja feita entre duas empresas (podendo o importador ser um Empresário em Nome Individual). O importador nunca poderá comprar os produtos no Brasil em nome de um familiar ou dele próprio, usando o seu CPF.  

Outro ponto muito sensível diz respeito aos custos. Ao pensar na viabilidade do negócio, deve considerar o valor do frete, que, inclusive vai variar conforme o tamanho e a dimensão da carga, os custos para liberar a carga no Brasil e em Portugal, bem como os impostos a serem pagos ao chegar aqui na Europa.

A carga tributária em Portugal é mais simples quando comparada à do Brasil. Para a maioria dos produtos, serão apenas dois impostos: o IVA -   6%, 13% e 23% - e os direitos aduaneiros. Em um processo de importação, o IVA será calculado levando em conta o valor da mercadoria adquirida, o custo do frete e do seguro, além dos direitos aduaneiros.

Enfim, o que em um primeiro momento parece um bicho de sete cabeças, se bem planejado, com orientação e tudo a seu tempo, nem é tão feio assim. Importar por Portugal e vender a toda a União Europeia pode sim representar uma ótima oportunidade de negócio. É mesmo só identificar um produto interessante, negociar bem com o fornecedor e trabalhar com eficiência o mercado. 

O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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