A seguradora suíça Baloise está apostando no mercado brasileiro para conquistar clientes de alta renda interessados em diversificar os investimentos no exterior, principalmente em Portugal. O foco está em pessoas que buscam diversificar suas carteiras de investimentos e têm interesse no mercado internacional.Em entrevista ao DN Brasil, o diretor da empresa, João Marmelo, explica que os contratos são internacionais e coordenados na Europa, já que a empresa não possui sede no Brasil. Mesmo assim, os brasileiros já representam uma parcela "importante" da clientela desse negócio de nicho."Desse universo de clientes, são clientes com um patrimônio muito elevado face a Portugal. Imagina, se um português tem 1 milhão de euros ou dólares, o brasileiro terá sempre um patrimônio de pelo menos 10 milhões de euros ou dólares na proporção. O mesmo tipo de negócio, a mesma atividade que desenvolveu, em termos de poupanças, conseguiu ter uma poupança que é dez vezes superior", exemplifica o especialista.Segundo Marmelo, o seguro de vida é o produto mais procurado por esses clientes. "O seguro encaixa aqui, em termos de solução. Por exemplo, se eles quiserem deixar um determinado patrimônio aos filhos, que está com um determinado banco, enquanto estão aqui no exterior, podem ter uma conta aqui diretamente. Por via de seguro, conseguem não só tê-lo também nesse banco, mas conseguem definir a quem é que vão deixar", detalha.O diretor, que atua nesse mercado há décadas, também aponta uma mudança no perfil dos clientes. "Antes era só a geração mais velha, reformados. Agora há os filhos mais novos, ou às vezes os netos, que também vêm viver na Europa", conta.Sobre as diferenças entre os perfis dos milionários do Brasil e de Portugal, além do montante disponível nas contas, João Marmelo avalia que "as perguntas" feitas por cada grupo são diferentes. "Eu diria que o Brasil está numa fase em que o português, se calhar, estava há 20 anos atrás. Ou seja, é mais desconfiado, no fundo faz mais perguntas relativamente à saúde e à segurança da empresa", conta.Ele acredita que isso ocorre porque as seguradoras desta região não são tão conhecidas no Brasil. Essa também é uma das razões pelas quais a empresa quer ampliar sua presença do outro lado do oceano.Para isso, a equipe conta com Maximiliano Girardi de Carvalho, que é brasileiro e atua entre os dois continentes. "Como brasileiro, a gente está familiarizado com as questões complexas que envolvem famílias no Brasil. E as preocupações também do brasileiro são coisas que a gente tem mais facilidade de ter uma empatia", destaca Maximiliano ao jornal.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!O brasileiro aponta outro fator importante para esses clientes: a qualidade do atendimento. "O brasileiro que vem para cá está acostumado com um atendimento de muita qualidade. A nossa missão é acompanhar essa exigência que o cliente brasileiro pede na hora do atendimento", pontua Max.Mudanças Sobre esse tema, João Marmelo acredita que as entidades públicas portuguesas deveriam dar mais atenção a esses investidores. "Para estes residentes não habituais, o ideal era que realmente houvesse um balcão que ficasse para eles só para, no fundo, lhes resolver este tipo de situações, em que se um empresário vem para Portugal e se escolhe Portugal para se instalar, para criar uma empresa no setor da inovação, tem que ter um balcão de atendimento específico para isso, onde lhe possam tratar de tudo o que ele precisar", defende o diretor.Na avaliação do executivo, a burocracia pode dificultar a entrada de investidores no país. "Como demora muito tempo a aprovar o processo, como é óbvio, essas pessoas acabam por se deslocalizar e vão para outros países, nomeadamente, por exemplo, para a Itália", cita.A mesma burocracia também é enfrentada na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), ressalta o diretor. "Uma marcação por levar dois anos", exemplifica. "Se nós queremos um tipo de clientes para saber o que as empresas fazem, o Estado também tem que se organizar como as empresas se organizam", afirma.Outra mudança que o diretor considera importante é ampliar de dez para 20 anos o prazo do Incentivo Fiscal à Investigação Científica e Inovação (IFICI). "Qualquer pessoa que venha viver para Portugal sabe que dez anos é pouco. Uma curva de aprendizagem no setor de inovação, normalmente, esse é o tempo que o projeto demora a arrancar, ainda mais com alguma burocracia envolvida aqui", destaca. "Nós acabámos por perder muita gente que vinha viver para cá", complementa.Embora o processo possa demorar atualmente até um ano e meio, João Marmelo ressalta que o interesse por Portugal, sobretudo por parte dos brasileiros, continua expressivo e tem potencial de crescimento.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Setor imobiliário registra tendência entre brasileiros, que trocam EUA por Portugal.“Não poderia ser outro lugar”: Martha Leonardis, ex-sócia do BTG Pactual expande empresa para Lisboa