O peso dos investimentos brasileiros no setor imobiliário em Portugal continua a ter impacto de destaque no segmento dos imóveis de alto padrão, com uma tendência que tem chamado a atenção das grandes agências. Muitos deste clientes começam a preferir investir em território português em detrimento dos Estados Unidos, país para onde, tradicionalmente, se voltavam os grandes compradores.Os dados da Porta da Frente Christie’s, empresa de mediação com forte aposta no mercado de luxo, apontam que os compradores brasileiros gastaram 65,8 milhões de euros em imóveis de alto padrão em Portugal em 2025. “Muitas vezes, inclusive, aquele segmento mais alto de brasileiros já tem esta segunda residência em locais como Miami, ou outras opções, e olham para Portugal hoje em dia como uma alternativa a essas localizações”, diz ao DN Brasil João Cília, CEO da empresa.Os números mostram que estes investidores adquiriram imóveis premium, segmento onde estão entre 5% e 2% dos mais caros do mercado, com o valor médio de cada transação a atingir 1,4 milhão de euros, cerca de 8,3 milhões de reais na cotação atual. Uma única casa vendida a um cliente brasileiro na cidade de Cascais, região metropolitana de Lisboa, que tem concentrado empreendimentos de luxo, custou 8 milhões de euros e foi a transação mais alta registrada no ano passado.A aposta em Portugal é muito por quem busca qualidade de vida, diversificação de ativos, mas também quer estar no país considerado “uma localização estratégica para este tipo de pessoas”, explica Frederico Abecassis, CEO da Coldwell Banker Portugal, ressaltando a facilidade de deslocamento dentro da Europa. “Durante anos, os Estados Unidos acabaram por ser o principal país de compra de segunda habitação para clientes brasileiros. O fenômeno que nós estamos a sentir hoje é outro. Temos clientes brasileiros que estão a vender, em Miami, por exemplo, com colegas nossas, para reinvestir em imóveis em Portugal”, completa o empresário.Atualmente, a empresa tem um foco diferenciado para o atendimento de quem vem do Brasil. “É um dos mercados mais prioritários e mais importantes para a Coldwell Banker Portugal. O brasileiro é o segundo maior visitante dos nossos websites. Isto mostra, de fato, a procura que existe”, analisa Frederico Abecassis..PerspectivasPara os dois CEOs, 2026 deverá trazer novas oportunidades, cenário relacionado ao ano eleitoral no Brasil. “Independentemente de quem ganhar, há uma parte significativa que fica descontente e isso é uma oportunidade para trazer investidores para Portugal”, explica João Cília. “Há uma grande vantagem em Portugal em relação ao Brasil e aos Estados Unidos. Para além da parte social, em Portugal, independentemente do governo ser de um lado ou do outro, existe alguma estabilidade política e alguma garantia para investidores e isso é bastante relevante”, pontua.“Eu olho para o mercado brasileiro de uma forma bastante semelhante com o mercado norte-americano”, ressalta Frederico Abecassis s. “O Brasil, a nível político, está dividido, o mesmo acontece com os Estados Unidos. Portanto, há sempre uma franja de mercado descontente e nós estamos cá em Portugal para os receber. Acreditamos que, nos próximos tempos, com o resultado das eleições, uma nova demanda possa vir a existir”, finaliza o CEO.caroline.ribeiro@dn.pt.Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias de segunda-feira, 17 de agosto..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Procura brasileira por imóveis em Portugal diminui 22% este ano.Bancos portugueses “adoram o nosso Imposto de Renda”, diz brasileiro que trabalha no mercado de luxo