Lobios, cidade quase na fronteira entre Galiza e Portugal.
Lobios, cidade quase na fronteira entre Galiza e Portugal.Foto: DR

Termas, gastronomia e festas populares: conheça a Galiza, vizinha do Norte de Portugal

Região espanhola reúne natureza, cidades históricas e tradições próprias e é opção para uma escapadela de verão do outro lado da fronteira.
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Uma das grandes vantagens de morar na Europa é poder fazer viagens de fim de semana para outros países e ter contato com diferentes culturas sem precisar gastar muito tempo no caminho. Em Portugal, nenhuma fronteira facilita tanto esse programa quanto a da Espanha, vizinha da Península Ibérica. Seja pelo Alentejo e pelo Algarve, rumo ao centro e ao sul espanhol, ou pelo Norte, em direção à Galiza, não faltam opções para uma escapadela. E é justamente para a vizinha galega que o Guia do Imigrante - Especial de Verão viaja desta vez.

Natureza

Quando atravessamos a fronteira pelo do Norte de Portugal, a mudança de país pode acontecer quase sem perceber. Além da proximidade geográfica, há também uma familiaridade linguística: o galego e o português têm a mesma origem histórica e até hoje compartilham muitas palavras, construções e sons, tendo uma proximidade grande entre si. Mas a Galiza, a parte de Portugal e da Espanha, tem uma identidade própria, que aparece na língua, na música, nas festas, na mesa, e claro, nas paisagens.

Para quem procura natureza, uma das regiões mais interessantes fica praticamente colada à fronteira portuguesa. O Parque Natural Baixa Limia-Serra do Xurés forma, ao lado do português Peneda-Gerês - que já contamos aqui no DN Brasil - uma grande área natural transfronteiriça. Entre montanhas, trilhas e cachoeiras, a região também guarda uma característica que é especialmente convidativa para nós brasileiros, afinal é algo raro de termos contato em nosso país: as águas termais.

Bande é conhecida pelas termas.
Bande é conhecida pelas termas. Foto: DR

Em Lobios, próximo à fronteira, é possível encontrar piscinas públicas de água quente às margens do rio Caldo, em plena vila, algo que remete a uma tradição que vem de longe: na região ficam as ruínas romanas de Aquis Originis, parte da antiga estrada que ligava Bracara Augusta, atual Braga, a Astorga.

Já um pouco mais adiante, o pequeno município de Bande oferece uma experiência mais imersiva na natureza, com piscinas termais junto ao sítio arqueológico romano de Aquis Querquennis, no meio da mata, onde é comum encontrar famílias e jovens acampando. Dependendo do nível da barragem, é possível até ver parte das estruturas arqueológicas submersa.

Gastronomia e festas populares

No que toca à gastronomia, um dos grandes símbolos galegos é o pulpo a la gallega, ou polvo à galega, preparado de maneira que surpreende pela simplicidade: o polvo é cozido inteiro, cortado em rodelas e servido com sal grosso, azeite e páprica. Mais nada. Em algumas versões, também aparece acompanhado de batatas cozidas na própria água usada para preparar o polvo.

A relação do prato com a região, diga-se, vai muito além da receita. Tradicionalmente consumido nas feiras e romarias da região - daí o nome galego ser conhjecido como polbo á feira -, o polvo era preparado pelas chamadas polbeiras, mulheres especializadas no seu preparo. A tradição ganhou força numa época em que transportar peixe fresco para o interior era difícil: seco, o polvo conseguia chegar a diferentes partes da Galiza e acabou se tornando presença habitual nas festas populares.

Essa história continua viva, inclusive, em uma das maiores celebrações gastronômicas galegas. A Festa do Pulpo de O Carballiño, na província de Ourense, acontece todos os anos no segundo domingo de agosto e reúne gastronomia, música tradicional e milhares de visitantes. A celebração, cujas origens estão ligadas à tradição secular do preparo do polvo na região, recebeu em 2022 o título de Festa de Interesse Turístico Internacional.

E por falar em festas, a Galiza também leva as tradições populares muito a sério. No verão, o calendário da região fica cheio de celebrações que misturam música, gastronomia e história, muitas delas reconhecidas oficialmente pelo interesse turístico.

Entre as mais conhecidas estão o Arde Lucus, em Lugo, que recria o passado romano da cidade; a Rapa das Bestas, em Sabucedo, ligada à tradição dos cavalos que vivem soltos nas montanhas; a Festa Viking de Catoira, com encenações de antigas invasões; e as Festas da Peregrina, em Pontevedra, além das celebrações de María Pita, na Corunha.

Vigo, Corunha e o Caminho de Santiago

Para quem tiver mais tempo, a viagem pode continuar Galiza adentro. Vigo, a pouco mais de uma hora de carro da fronteira com Portugal, é uma das principais cidades da região e combina vida urbana, praias e a proximidade das Rías Baixas, famosas também pelos vinhos Albariño.

Mais para o interior, Ourense mantém a água quente como protagonista: cortada pelo rio Minho, a cidade é uma das grandes referências termais da Espanha e conta com diferentes áreas para banhos espalhadas pela região.

Fronteira entre Espanha e Portugal.
Fronteira entre Espanha e Portugal.Foto: DR

Já para quem quiser seguir até o Atlântico, Corunha completa o roteiro com praias urbanas, um longo calçadão à beira-mar e a Torre de Hércules, farol de origem romana que também integra a lista de Patrimônios Mundiais da UNESCO.

Por fim, talvez nenhum destino represente tanto a Galiza mundo afora quanto Santiago de Compostela. A capital galega recebe peregrinos de diferentes países no ponto final do Caminho de Santiago, diante da famosa catedral, mas vale a visita mesmo para quem não percorreu os quilômetros a pé. O centro histórico, também declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO, concentra ruas de pedra, praças, bares e restaurantes que fazem da cidade um destino por si só. Encara a caminhada?

O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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