Pedro Sánchez é o primeiro-ministro que flexibilizou as políticas de imigração.
Pedro Sánchez é o primeiro-ministro que flexibilizou as políticas de imigração.Foto: Oliver Hoslet / EPA

Eleições na Espanha podem colocar em debate política migratória que beneficia brasileiros

País tem sido um dos principais destinos dos brasileiros, muito deles trocando Portugal pelo país vizinho.
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As eleições antecipadas na Espanha, marcadas para 29 de novembro, podem ter impacto nos planos de brasileiros que vivem no país ou pretendem migrar em busca de oportunidades e cidadania europeia. Como o DN Brasil já noticiou, muitos brasileiros que viviam em Portugal se mudaram para o país vizinho em busca de mais segurança jurídica e melhores salários.

A disputa eleitoral ocorre em meio ao debate sobre a política migratória espanhola. Nos últimos anos, o governo de Pedro Sánchez ampliou as possibilidades de regularização de estrangeiros e mantém regras favoráveis à obtenção da nacionalidade por cidadãos de países ibero-americanos, que podem fazer o pedido após dois anos de residência legal.

"Nos últimos anos, a Espanha tornou-se um dos principais laboratórios europeus de integração migratória. O resultado destas eleições não será acompanhado apenas pelos espanhóis, mas também por milhões de imigrantes, investidores e profissionais que veem o país como uma porta de entrada para a Europa", explica a advogada Priscila Nazareth Ferreira, que atua em Portugal e na Espanha.

No último ano, grande parte dos atendimentos da profissional foi destinada a brasileiros que pretendem viver em território espanhol. "A verdadeira questão não é apenas quem governará Espanha após novembro. A questão central é qual o papel que será reservado aos imigrantes na próxima fase de desenvolvimento econômico e social do país", explica.

Um dos aspectos mais relevantes para os cidadãos brasileiros é o acesso à nacionalidade espanhola. Atualmente, os latino-americanos podem requerer a nacionalidade após apenas dois anos de residência legal e ininterrupta, enquanto a regra geral para a maioria das nacionalidades exige dez anos de residência. Em Portugal, por sua vez, o prazo passou a ser de sete anos para brasileiros com título de residência.

"Não há risco imediato ou alteração anunciada. No entanto, quem acompanha os movimentos políticos europeus sabe que os temas relacionados com a imigração podem adquirir novas configurações nos períodos eleitorais. Por isso, é prudente acompanhar de perto os rumos do debate", observa a especialista.

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O resultado da votação de 29 de novembro poderá ser decisivo para os brasileiros cujos planos envolvem a Espanha. "Espanha tornou-se uma referência para milhares de cidadãos brasileiros à procura de oportunidades de emprego, qualidade de vida e acesso à cidadania europeia. O resultado destas eleições poderá indicar se o país continuará a aprofundar a sua política de integração dos migrantes ou se entrará numa fase de maior revisão e cautela", avalia.

As eleições gerais na Espanha estão marcadas para 29 de novembro de 2026, após o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), decidir antecipar a votação, inicialmente prevista para 2027. O anúncio ocorreu depois que o Parlamento rejeitou medidas emergenciais do governo para enfrentar a crise habitacional, marcada pela alta dos aluguéis, pela dificuldade de acesso à moradia e por protestos em várias cidades.

A disputa deve ser marcada pelo confronto entre a esquerda, liderada por Sánchez, e a possibilidade de uma aliança entre o conservador Partido Popular (PP), de Alberto Núñez Feijóo, e o partido de extrema direita Vox. A oposição também pretende explorar as investigações de corrupção envolvendo pessoas próximas ao primeiro-ministro. Enquanto Sánchez defende a contribuição dos estrangeiros para a economia e a sociedade e promove medidas de regularização migratória, o Vox defende controles mais rígidos.

amanda.lima@dn.pt

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