O aumento desse fluxo está relacionado à flexibilização das leis de imigração na Espanha.
O aumento desse fluxo está relacionado à flexibilização das leis de imigração na Espanha.Foto: Leonardo Negrão

Aeroporto de Lisboa vira rota de entrada para brasileiros que pretendem morar na Espanha

O movimento envolve não apenas brasileiros, mas também cidadãos de diversos países da América do Sul.
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As fronteiras aéreas portuguesas têm sido usadas por brasileiros e outros imigrantes da América do Sul como porta de entrada para a Espanha. O país vizinho segue na direção oposta à de Portugal e tem adotado medidas para facilitar a permanência de imigrantes. O DN Brasil / DN apurou no Aeroporto de Lisboa que esse movimento tem se tornado cada vez mais frequente e já está no radar das autoridades.

“Antes era Portugal o país de destino, agora é a Espanha. Notamos que há mais pessoas a ir para a Espanha e usam Portugal para isso. Entram e depois seguem de autocarro ou mesmo por ligação aérea”, afirma ao jornal o comissário Mateus Lopes, comandante da Esquadra de Controlo Fronteiriço do Aeroporto de Lisboa.

Segundo o responsável, o aumento desse fluxo está relacionado à flexibilização das leis de imigração na Espanha. O movimento envolve não apenas brasileiros, mas também cidadãos de diversos países da América do Sul.

Antes, acontecia o inverso: parte dos imigrantes entrava pela Espanha e depois seguia para Portugal, explica o comissário da Polícia de Segurança Pública (PSP). “Estamos atentos a isso. As pessoas têm que ver que isto não é fronteira portuguesa, é fronteira do espaço Schengen”, destaca.

Desde o ano passado, a Espanha tem adotado medidas para facilitar a entrada e a regularização de imigrantes, enquanto Portugal endurece a política migratória. Em janeiro de 2026, o governo espanhol aprovou um processo extraordinário de regularização de milhares de imigrantes em situação irregular, em resposta à escassez de mão de obra.

A medida soma-se à reforma do Regulamento de Estrangeiros, que entrou em vigor em maio de 2025 e flexibilizou as regras de imigração. Entre as mudanças estão a criação de novas modalidades de arraigo (regularização por integração), incluindo uma via de “segunda oportunidade” para quem perdeu a autorização de residência; a ampliação do visto de procura de trabalho de três meses para um ano; a facilitação do reagrupamento familiar; a autorização para que estudantes estrangeiros trabalhem até 30 horas por semana; e a simplificação dos procedimentos para obtenção e renovação das autorizações de residência.

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