Brasil e Portugal entram em um momento decisivo para a governabilidade e a estabilidade política, na avaliação de Vitalino Canas, presidente do Fórum de Integração Brasil-Europa (FIBE). Em entrevista ao DN Brasil, o especialista afirma que os dois países enfrentam desafios distintos, mas compartilham uma preocupação: a dificuldade crescente para garantir governos estáveis, em um cenário internacional de transformações no funcionamento das democracias.No Brasil, onde as eleições presidenciais ocorrem em pouco mais de um mês, o professor de Direito Constitucional prevê uma disputa polarizada e avalia que o principal desafio poderá surgir após o resultado das urnas. Segundo o professor, independentemente de quem vencer a eleição, à direita ou à esquerda, é possível que o próximo presidente enfrente dificuldades para formar uma maioria governista estável no Congresso, o que pode agravar os desafios de governabilidade do país. Em Portugal, a atenção está voltada para o próximo processo orçamentário, que, segundo Vitalino Canas, será um teste importante para a estabilidade política do país. Embora não preveja necessariamente uma queda imediata do Governo em razão do Orçamento, o professor avalia que as condições de governabilidade podem se tornar mais difíceis nos próximos anos, com maior risco de sucessivas crises políticas e dificuldade para formar governos estáveis.Para enfrentar esse cenário, Vitalino Canas defende que as forças políticas precisam começar a discutir novas formas de entendimento. “Quando observamos alguns sítios do mundo onde era muito difícil determinados partidos entenderem-se entre si, porque se viam normalmente como adversários, o que se está a ver agora é que são obrigados a entender-se”. Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Na avaliação do professor, partidos que hoje se enxergam apenas como adversários podem, no futuro, ser obrigados a construir acordos e alianças para garantir a estabilidade política e preservar a governabilidade. “A democracia não é apenas a democracia para governar uns contra os outros”, vinca.Em meio aos desafios comuns para a democracia e a governabilidade, os países continuam aprofundando os laços em várias áreas, entre elas a produção e o intercâmbio de conhecimento. Segundo o professor, essa aproximação entre os dois países tem ocorrido de forma cada vez mais natural, impulsionada principalmente pela circulação de estudantes e professores. “É um movimento que não resulta de qualquer decisão oficial, é um movimento da sociedade civil, mas que emerge por vontade dos próprios alunos e dos próprios professores”, avalia. É nesse contexto que Vitalino participa de um evento na Universidade de Fortaleza (Unifor). Na ocasião, será apresentado o primeiro livro resultante do Prêmio FIB, iniciativa voltada à valorização e à divulgação da produção acadêmica. De acordo com o presidente da instituição, a proposta é oferecer aos vencedores condições para divulgar suas pesquisas e alcançar um público mais amplo, em um momento em que a publicação acadêmica enfrenta cada vez mais dificuldades e custos. “O prêmio FIBE não é apenas um modo de os laureados obterem alguns meios financeiros, é também uma forma de permitir que as carreiras e o trabalho se projetem através de publicações, através de divulgação”, destaca. As inscrições para a edição do prêmio este ano estão abertas até 30 de setembro.amanda.lima@dn.pt.Este texto está publicado na edição impressa do DN desta segunda-feira, 31 de agosto de 2026..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..30 anos da CPLP. “Participação ativa do Brasil é fundamental”, diz embaixador da missão brasileira.Prêmio FIBE: faltam três meses para o fim das inscrições