A formação superior na área do Direito na Alemanha tem uma forma de "seleção" profissional que difere, e muito, do método no Brasil. Para Luis Greco, que é professor na Universidade Humboldt de Berlim, o sistema alemão exige uma maior preparação dos estudantes."Minhas aulas, atualmente, são aulas para alunos que se encontram em um nível relativamente avançado do estudo, e eu fico muito impressionado com o nível deles. Não é porque eles são melhores, também são muito bons, mas não é porque eles são mais interessados, é porque o sistema exige isso deles. Na Alemanha, existem, no país inteiro, acho que 30 faculdades de Direito. Só o Rio de Janeiro, acho que tem cinco, seis vezes isso", explica o professor.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!A consequência, para Luis Grego, é um método que seleciona bons profissionais logo ao início."Você tem um número pequeno de faculdades de Direito, e um número pequeno de pessoas que se formam, e no Brasil, quem não falece em cinco anos, se forma em Direito, no fundo, é isso. Essa pessoa vai ter um diploma que não serve para absolutamente nada, porque ela precisa fazer uma prova do OAB para poder começar a exercer como advogada, participar de um concurso público para poder exercer o ofício de juiz ou de promotor. Na Alemanha não é assim. O sujeito se forma, tem um diploma, tem que fazer depois uma residência, que seria mais ou menos, vamos dizer, a tradução mais exata do que acontece depois da faculdade, mas depois de fazer essa residência, a pessoa tem um diploma que autoriza ela a ser juiz. Se ela tiver a nota correspondente, não tem um outro concurso para nada, é isso. Ou seja, o pessoal que está na minha frente, que eu estou ensinando, treinando para fazer essa prova de conclusão, dela vai depender a posição que elas vão ocupar na vida, e não vai ter um segundo concurso, não vai ter uma segunda chance".No caso de postos mais elevados, como o de juiz, o professor explica que "os mecanismos de seleção são antecipados", especialmente pelo tempo que se leva para um profissional no Brasil ser aprovado em concursos."Eu digo sempre, em algum momento todo o sistema vai ter que ter uma seleção, afinal, o juiz ganha bem, em qualquer país bem organizado, o juiz tem que ganhar bem, porque você quer boas pessoas como juiz. Então, não tem lugar para todo mundo ali, vai ter que selecionar de alguma maneira, e onde você vai fazer essa seleção? Na Alemanha a seleção é feita desde o começo, no Brasil a seleção é feita pelo concurso que pode ocorrer 15 anos depois da faculdade, então, tem gente que fica 15 anos lutando para passar por esse mecanismo de seleção. Isso é um bom modelo? Eu não sei", reflete.O videocast Radar DN Brasil foi gravado durante o XIV Fórum de Lisboa, nos dias 1, 2 e 3 de junho, com apoio da Fundação Getúlio Vargas e da FGV Justiça. Acompanhe pelo site do DN Brasil e canais no YouTube e Spotify..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Brasileiras vítimas de violência no exterior "podem buscar seus direitos até o fim", defende Luiza Brunet.Regulamentação do uso de IA no Brasil. "Bem provável" que seja aprovada ainda este ano, diz ministro do STJ