A consolidação do Chega como segunda força política no parlamento português representa um "terremoto" no histórico do sistema partidário nacional. A análise é do professor, ex-deputado e presidente do Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE), Vitalino Canas, em entrevista no videocast Radar DN Brasil.O professor recorda que "o sistema partidário português foi muito estável durante mais de 40 anos", desde o seu estabelecimento, em 1976, com a criação da Constituição da República Portuguesa após a Revolução dos Cravos, em 25 de abril do ano anterior, que pôs fim ao regime ditatorial do Estado novo."Este sistema partidário funcionou assim durante muitos anos. Começou a dar sinais de ser alterado quando apareceu um fenômeno que muitos de nós diriam que era praticamente impossível em Portugal, devido à história recente portuguesa, quando surgiu um partido de extrema-direita ou de ultradireita populista", explica.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Admitindo que estava "enganado", Vitalino Canas contextualiza o surgimento do Chega, em meados de 2010. "Parecia um fenômeno que talvez desaparecesse rapidamente, mas depois foi-se consolidado e hoje em dia é o segundo partido mais representado na Assembleia da República. Para aqueles que não conhecem o sistema partidário português e o sistema político português, é praticamente um terramoto, porque desde as primeiras eleições democráticas em Portugal em 1975, para a Constituinte, desde essa altura, só houve dois partidos que ganhavam eleições em Portugal, alternadamente, claro, o Partido Social-Democrata e o Partido Socialista", afirma o ex-deputado, que foi eleito para o parlamento pelo Partido Socialista.Entre as pautas mais fraturantes da política portuguesa atualmente, a proposta de uma reforma à Constituição tem gerado muita discussão. "Quando agora sucede que o segundo partido mais representado na Assembleia da República já não é o Partido Socialista, quando sucede que é possível haver uma revisão constitucional se o PSD, o Chega e a Iniciativa Liberal eventualmente se entenderem, deixando fora do concerto constitucional o Partido Socialista, isto é praticamente uma alteração do regime constitucional. É um grande terremoto do ponto de vista político, e por isso vejo, aliás, com alguma perplexidade e mesmo inquietude".Relação com o BrasilAtualmente à frente do FIBE, o professor destaca a proximidade acadêmica entre Brasil e Portugal na área do Direito."Portugal e Brasil sempre se influenciaram muito no Direito. Mesmo sem o reconhecer, mas a simples circunstância de podermos ler os grandes livros, as grandes obras, as grandes investigações da nossa língua, significa que mesmo quando não reconhecemos, mesmo quando não citamos, aliás, devíamos citar, mas às vezes, porventura, esquecemos de citar, mesmo quando não damos conta disso, estamos a ser muito influenciados mutuamente".O videocast Radar DN Brasil foi gravado durante o XIV Fórum de Lisboa, nos dias 1, 2 e 3 de junho, com apoio da Fundação Getúlio Vargas e da FGV Justiça. Acompanhe pelo site do DN Brasil e canais no YouTube e Spotify..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.."Flexibilidade". Confederação das seguradoras quer planos de saúde no Brasil mais parecidos com Portugal.Justiça eleitoral brasileira prepara "reestruturação" para fiscalizar campanhas na esfera digital