Foto do filme brasileiro "Manas".
Foto do filme brasileiro "Manas".Foto: Divulgação

Língua comum, telas separadas: CPLP quer criar mercado audiovisual de 300 milhões de espectadores

"Ainda é muito baixa a circulação das obras lusófonas junto das nossas audiências", afirma Mário Borgneth, coordenador executivo do Programa CPLP Audiovisual.
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A língua portuguesa conecta cerca de 300 milhões de pessoas, mas essa dimensão ainda não está refletida no mercado audiovisual dos países lusófonos. Filmes produzidos em um dos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) raramente chegam às telas das demais, enquanto a falta de dados sobre o setor e as diferenças nas regras de financiamento dificultam a criação de uma indústria integrada.

O desafio estará no centro da Conferência Internacional do Audiovisual na CPLP, que começa nesta segunda-feira, em Lisboa. Durante cinco dias, representantes dos países-membros, produtores, emissoras públicas e organismos internacionais vão discutir como ampliar a coprodução e criar caminhos para que filmes e outros conteúdos circulem com mais facilidade entre os mercados de língua portuguesa.

"Ainda é muito baixa a circulação das obras lusófonas junto das nossas audiências", afirma Mário Borgneth, coordenador executivo do Programa CPLP Audiovisual, citado em comunicado. Na avaliação do responsável, existe um mercado potencial de 300 milhões de pessoas, mas ainda faltam condições para que essa audiência se transforme em oportunidades concretas para o setor.

Um dos obstáculos é a ausência de informações consistentes sobre a dimensão e o funcionamento dos mercados audiovisuais nacionais. Também pesam as diferenças nos sistemas de apoio à produção e as dificuldades de distribuição. Sem mecanismos que aproximem esses mercados, a língua comum, por si só, não garante que uma produção brasileira chegue a Portugal, ou que um filme moçambicano encontre público em outros países da comunidade, por exemplo.

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A discussão em Lisboa pretende avançar para um modelo que vá além do intercâmbio cultural. A proposta é incentivar coproduções, com produtores e instituições de diferentes países envolvidos nos mesmos projetos, compartilhando financiamento, investimento e oportunidades de distribuição.

Entre os temas previstos estão os mecanismos de financiamento, a legislação de cada país, a formação de profissionais e o papel das televisões públicas, das salas de cinema e das plataformas de streaming na circulação das obras. A conferência terá participação de entidades como a UNESCO, a Organização de Estados Ibero-americanos, a Eurimages, a Ibermedia e o Centre National du Cinéma francês.

O encontro será realizado na Universidade Lusófona e integra a terceira edição do Programa CPLP Audiovisual, criado em 2015. A instituição também recebe, entre 9 e 13 de novembro, a mostra "Imaginários da Lusofonia", com filmes produzidos na primeira edição do programa.

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