Como falar sobre colonialismo sem gerar um debate que aponte culpados e sem gerar ressentimentos? A escritora brasileira Eliana Alves Cruz entende que o assunto pode gerar "incômodos", mas que precisa ser debatido. "Diferente de Portugal, no Brasil, essa discussão já está muito quente. Muito avançada por conta da própria formação da nossa sociedade. Por conta de todos os movimentos antirracistas que existem já há décadas. É um debate fundamental", resume.Em entrevista ao DN Brasil, a premiada autora afirma que "não é uma questão de apontar acusados e culpados e vítimas e réus", mas de entender as consequências do que foi feito no passado. "No caso das famílias que descendem de pessoas escravizadoras, é entender que, ok, você, pessoa física, não escravizou ninguém, mas você herda todo um capital que te dá certas vantagens e de privilégios que te dão estas certas vantagens", analisa.Na visão da carioca, a literatura tem um papel importante nisso. "É preciso ser a literatura, porque só o jornalismo não dá conta. A gente vai navegando de tragédia em tragédia, então um livro pode ser altamente importante e influente pra esse debate", pontua a escritora, que também é jornalista. "A literatura tem uma carta que é repensar o imaginário. Repensar a forma como olhamos individualmente as coisas", complementa.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Entre as obras de Eliana estão Água de Barrela (2016), O Crime do Cais do Valongo (2018), A Vestida (2021) e Meridiana (2025). Os livros têm em comum temas como colonialismo, escravidão, racismo e desigualdades do presente. A autora esteve recentemente em Portugal para participar do Festival do Livro da Amadora, promovido pela plataforma Gerador. Foi um reencontro da autora com o país, que não visitava desde 1998. Apesar de não estar fisicamente em terras portuguesas durante muitos anos, o país está presente em algumas de suas obras mais famosas.É o caso de O Crime do Cais do Valongo. "O pai de um dos personagens principais é um imigrante português no Brasil", conta. O livro será lançado por uma nova editora e terá uma sequência de obras e um filme. No segundo volume, "há uma conexão ainda maior com a metrópole em outro personagem", adianta.Segundo Eliana, suas obras têm boa receptividade em Portugal, principalmente por conta da divulgação nas redes sociais e na internet. Em relação aos novos livros, garante que "com certeza" serão publicados aqui e que espera estar sempre em contato com os leitores e leitoras do país.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Aclamada obra brasileira "Um Defeito de Cor" será publicada em Portugal.Brasileira descobre ser descendente de bibliotecário de D. João VI e transforma história familiar em livro