Como ficar rico, como ser um bom líder, como fazer amigos... Nos últimos anos, muitos livros de autoajuda surgiram e fizeram sucesso. E parece autoajuda o título Como a escritora brasileira Clarice Lispector pode mudar a sua vida? Este é o nome de um livro que acaba de chegar a Portugal, mas que não é sobre autoajuda, mas sim, uma espécie de guia sobre como ler a escritora brasileira e tudo aquilo que ela pode nos ensinar.A paulista Simone Paulino publicou a obra em 2017 e agora acredita que é a vez de Portugal também aprender com Clarice. “É uma alegria poder estar aqui como escritora e carregando a Clarice. Clarice que agora, aqui em Portugal, está muito em alta, ao meu ver”, disse ao DN Brasil.Segundo a brasileira, as obras da autora, nascida na Ucrânia em 1920, têm ganhado destaque em Portugal. “As novas edições dela estão muito bem cuidadas, muito bonitas, mais modernas. Mais modernas até do que as edições brasileiras. Então, eu vejo esse movimento em torno dela”, explica. O mesmo ocorre em outros países europeus. O livro de Simone, por exemplo, será lançado em breve na Itália..Apesar da brincadeira com o título, que remete à autoajuda - embora o livro não pertença a esse gênero -, a escritora destaca que Clarice tem muito a ensinar às pessoas. “Quando eu falo que ajuda a viver, ajuda mesmo. Muda a nossa vida, muda o nosso jeito de estar no mundo. Aliás, isso qualquer literatura faz. A diferença é que a Clarice faz isso de uma forma meio aguda. É como se ela enfiasse uma faquinha e girasse com força”, reflete.A obra foi escrita ao longo de cinco anos e tem 13 capítulos. No Brasil, foi considerada um best-seller, com mais de 30 mil exemplares vendidos.Jovens e leituraAlém de escritora, Simone é fundadora da Editora Nós, que esteve presente na Feira do Livro de Lisboa deste ano. Ao jornal, ela destacou, com otimismo, o movimento de incentivo à leitura por meio das redes sociais. “É um fenômeno no Brasil entre os mais jovens, que usam o TikTok e outras plataformas. Isso está revolucionando alguns livros”, conta.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!É o caso de Noites Brancas, do escritor russo Fiódor Dostoiévski. “Na esteira dele vieram outros autores russos”, complementa. Mas esses movimentos resultam na venda de mais livros? Segundo a editora, sim. “Olha, conquistar um leitor já é maravilhoso. Mas, sim, as pessoas realmente compram. É muito interessante. Elas estão vendo como algo cool andar com um livro, sentar em um café para ler”, destaca. “Tenho uma filha de 20 anos que sempre leu, desde muito pequena. E ela tem amigas que agora estão descobrindo a literatura como se fosse a pólvora. E eu penso como isso é bom, porque elas não estão lendo apenas bobagens, mas muitos livros clássicos”, relata. Sobre as “bobagens”, ela afirma não ser “totalmente contra”, pois acredita que, “se ajudarem a abrir caminho para a leitura, tudo bem”.Antes de desembarcar em Lisboa para a Feira do Livro, Simone participou da feira realizada anualmente em São Paulo. “A feira estava muito bonita, cheia o tempo todo. Muita gente comprando livros, público novo chegando e se aproximando da leitura. Acho que é um momento bom”, analisa.Outro sinal positivo, segundo Simone, é a presença de clássicos entre os livros mais lidos. Trata-se de um cenário diferente do observado há 20 anos, quando, com raras exceções, como Paulo Coelho, os livros mais vendidos no Brasil pertenciam ao gênero da autoajuda.amanda.lima@dn.pt.Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias desta segunda-feira, 15 de junho..O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Encontro de Escritores reúne Agualusa e Castro Neves: "Um mau escritor nunca vai fazer um bom livro com IA".Escritor Álvaro Filho. “Luta de Portugal em preservar o idioma é uma batalha perdida”