Rotinas de escrita, referências de Portugal para o Brasil, o estilo de Eça de Queiroz e Machado de Assis, as particularidades de escrever um romance, a "moda" de uma escrita fácil para agradar aos que não possuem o real gosto pela leitura: estes foram alguns dos tópicos do "Encontro de Escritores: Dois Atlânticos", com José Eduardo Agualusa e José Roberto de Castro Neves.O evento ocorreu na Embaixada do Brasil em Lisboa, integrando a programação da Semana do Brasil, junto com o Fórum de Lisboa. Foi uma conversa autêntica, leve e descontraída, mas sem perder a profundidade que é natural de dois grandes escritores."Eu estava na condição de fã", disse rindo ao DN Brasil o escritor José Roberto de Castro Neves, que integra a Academia Brasileira de Letras (ABL). Os escritores falaram a respeito dos novos hábitos de consumo na atualidade, sendo que ambos se mantém fiesis ao seu estilo de escrita, sem tentar escrever "mais fácil" para agradar a um maior número de pessoas. ."Sou um pouco rebelde. A lliteratura tem que ser resistência. Eu não me curvo a isso, eu quero privilegiar o leitor. Eu acho que o autor tem que respeitar o leitor, respeitar a inteligência do leitor e acreditar que a literatura é resistência", destacou o escritor brasileiro.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Agualusa, na conversa, sintetizou sua visão sobre o uso da inteligência artificial na literatura. "Um mau escritor nunca vai escrever um bom livro com inteligência artificial, mas talvez um bom escritor pode escrever um livro melhor com IA", resumiu..Ao mesmo tempo, o escrito angolano acredita que a máquina nunca terá aquilo que é uma das coisas mais importantes para uma boa escrita: a intuição. "A máquina não é movida pela intuição, a intutição é algo mágica, Como já disse um escritor francês, 'o primeiro verso é Deus quem dá'", destacou.Mais eventosNesta terça-feira 02 de junho, a Embaixada do Brasil sedia mais um evento em parceria com a Fundação Getúlio Vargas Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Fórum de Integração Brasil Europa (FIBE). Será a sessão "Rotas Visuais – Entre o Brasil e Portugal", com o ançamento dos livros Os caminhos da mulher na arte brasileira, de Marta Fadel, e Hugo França – esculturas mobiliárias, da FGV Arte, em colaboração com o Atelier Hugo França. A curadoria deste eventos é de Silvia Finguerut, coordenadora de Cultura e Sustentabilidade da FGV Conhecimento.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é uma seção do Diário de Notícias dedicada à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Clube do livro e contação de histórias: diplomacia brasileira em Lisboa aposta na cultura.José Eduardo Agualusa: "Este livro nasce do rumor de que o mundo tinha acabado"