Vidas suspensas. Atrasos sem fim. Estado que desrespeita prazos. Uma professora com décadas de carreira que não consegue dar aula em Portugal, mesmo com a falta de profissionais. Estas são algumas das histórias reais contadas na série "Vida de Imigrante", cujo primeiro episódio foi publicado na manhã desta segunda-feira, 06 de julho (assista aqui).Dividida em três partes, a produção é da advogada brasileira Priscila Nazereth Ferreira. "Surgiu da necessidade de esclarecer para a sociedade portuguesa que não é verdade que a maioria das pessoas em situação irregular em Portugal hoje sejam pessoas que vieram para o país de forma desorganizada", conta ao jornal. A série busca mostrar que, apesar dos impactos negativos que os atrasos do Estado causam na vida dessas pessoas, elas procuram a integração."Os problemas que o imigrante enfrenta não decorrem de nada que ele tenha provocado, e sim de uma desordem estatal, na organização administrativa do país. Isso não afeta apenas imigrantes, mas o imigrante é o expoente máximo desse efeito, justamente por ser a comunidade mais fragilizada", detalha. "A gente precisa mostrar que existe muita familiaridade, irmandade entre Portugal e os demais países da CPLP", complementa Priscila.A advogada viajou de norte a sul do país em busca dessas histórias. "A história que mais me marcou foi a história da professora. Uma professora que não consegue exercer a profissão em Portugal, num país que tem um sistema educacional deficitário, em que existe uma carência de professores, alunos que não têm aulas, escolas em greve — justamente por conta do colapso da educação — e, ainda assim, existe um sistema engessado de validação da formação profissional, que gera, na verdade, um prejuízo muito grande para a sociedade", detalha. Esta imigrante trabalha em um lar de idosos para sustentar a família e espera há anos pelo primeiro título de residência.Na avaliação da advogada, são vários os casos que demonstram a "naturalização do absurdo" em relação à Agência para Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Priscila entende que falta um "olhar humano e empatia" no tratamento dos processos.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!Ao mesmo tempo, avalia que o problema está baseado em uma "gestão ineficiente" em várias frentes. "A AIMA utiliza um sistema totalmente precário, que é da década de noventa, no máximo dos anos dois mil. Nós não podemos resolver problemas em 2026 com uma ferramenta que já tem mais de vinte e cinco anos. Portanto, a gente não está falando de falta de recursos financeiros. Só em taxas, a arrecadação ultrapassa 70 milhões de euros", critica.A advogada afirma que o problema não é exclusivo da AIMA. "Não há interesse na gestão eficiente dos processos. E isso não se limita à imigração, isso não se limita à AIMA e ao antigo SEF. Isso é uma cultura generalizada da administração pública portuguesa", ressalta.O segundo episódio de "Vida de Imigrante" será publicado nesta terça-feira, 07 de julho. O terceiro estará disponível na quarta-feira, 08 de julho.amanda.lima@dn.pt.O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Em assembleia de cidadãos imigrantes, AIMA é uma das principais preocupações.Tribunal condena AIMA a decidir pedido de residência e aponta violação de direitos fundamentais