Lívia reside em Elvas com a família e é assistente social, cursando atualmente o doutoro em Economia Circular.
Lívia reside em Elvas com a família e é assistente social, cursando atualmente o doutoro em Economia Circular.Foto: Linkedin

Projeto criado por brasileira em Elvas busca preparar jovens para a vida adulta

Para colocar o projeto em prática, é necessário ter o projeto escolhido no Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas, através de votação popular.
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Será que os jovens hoje em dia estão preparados para os desafios da vida adulta, como habilidades para entrada no mercado de trabalho e conciliação com as obrigações? Para a brasileira Lívia Barbosa Rocha, ainda existe muito para ser feito.

Por isso, a imigrante criou o projeto "Conexão Futuro", uma iniciativa voltada para jovens que estão concluindo o 12.º ano (ensino médio) e se preparando para a universidade, o mercado de trabalho e a vida adulta. Lívia reside em Elvas com a família e é assistente social, cursando atualmente o doutoro em Economia Circular.

Em entrevista ao DN Brasil, a profissional conta que a ideia surgiu a partir da experiência de Lívia como formadora de jovens aprendizes no Brasil e da observação da realidade escolar em Portugal. "Ao acompanhar essa fase de transição e ao olhar para o mercado de trabalho, percebi que ainda hoje enfrentamos uma falta enorme de um modelo que acompanhe os jovens do 12.º ano no desenvolvimento de competências que não sejam apenas técnicas, mas principalmente comportamentais", detalha.

Lívia é mãe de um jovem que chegou ao país com dez anos e acompanhou como funciona o modelo educacional até o fim dos estudos na escola e a ida para a universidade. Entre as dificuldades identificadas por Lívia nos jovens estão competências como comunicação assertiva, inteligência emocional, negociação, resolução de conflitos e inteligência relacional.

Ela também aponta um desconhecimento sobre o mercado de trabalho e questões relacionadas à postura profissional e à "literacia laboral", incluindo contratos, impostos e recibos de salários. Segundo Lívia, ansiedade e incerteza também aparecem entre os desafios, associadas à gestão do estresse e à pressão escolar e acadêmica.

A imigrante também acompanhou de perto a trajetória do filho, que chegou ao país aos dez anos, desde a escola até o fim do secundário. Com o "Conexão Futuro", Lívia "formar seres conscientes, críticos e preparados para cuidar do seu bem-estar e da sua jornada profissional".

Outro objetivo é dar oportunidade aos jovens do interior, que é a realidade em que vive. "Os jovens das cidades do interior muitas vezes não dispõem das mesmas ferramentas, parcerias ou formações complementares de incentivo ao protagonismo que são mais comuns nos grandes centros urbanos, como Lisboa", detalha. A brasileira mora em Elvas, cidade que fica no Alentejo, próxima à fronteira com a Espanha. O município tinha 20.733 habitantes nos Censos de 2021.

Na avaliação de Lívia, a escola cumpre seu papel no ensino de conteúdos acadêmicos e teóricos, mas não consegue preparat totalmente completamente os jovens para essa transição. "Embora a escola cumpra o seu papel no ensino de conteúdos acadêmicos e teóricos, existe uma lacuna no desenvolvimento de competências comportamentais e práticas essenciais para o século XXI, como resiliência, literacia digital e trabalhista, autogestão e inteligência emocional", analisa. Para ela, a falta de preparação torna a passagem da escola para a vida adulta mais difícil.

Brasil x Portugal

Com a experiência nos dois países, identifica semelhanças principalmente nas dificuldades financeiras. A imigrante considera essa preocupação muito presente no Alentejo, no acesso à universidade e na pressão para escolher um trabalho que atenda às necessidades básicas em vez de seguir a carreira dos sonhos.

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Ao mesmo tempo, Lívia destaca que os jovens em Portugal têm a possibilidade de estar próximos de outros países europeus, o que facilita o contato com diferentes línguas, culturas e experiências.

O projeto também aborda conflitos de convivência e questões como discriminação, bullying, cyberbullying, racismo, xenofobia e assédio. Estes temas foram incluídos porque, na avaliação de Lívia, embora sejam bastante debatidos, ainda são pouco praticados no cotidiano. Ela considera necessário que os jovens aprendam a lidar com diferenças culturais também no ambiente profissional.

As atividades deverão incluir oficinas práticas e estudos de caso. Para Lívia, os conteúdos do projeto também respondem a algo que ela própria gostaria de ter aprendido quando era mais jovem. "Como gostaria de ter aprendido tudo isto na escola. Teria ajudado a fazer escolhas muito melhores e mais conscientes, em vez de tomar decisões baseadas apenas na emoção", pontua.

O "Conexão Futuro" foi desenhado como um modelo escalável, modular e replicável. A fase piloto está projetada para a Escola Secundária D. Sancho II, em Elvas, mas a intenção é ampliar a iniciativa para outras escolas do concelho e, posteriormente, para outros municípios de Portugal.

A produção de recursos digitais e pedagógicos faz parte da estratégia de expansão. Lívia também pretende utilizar o projeto como objeto de estudo em seu doutorado e espera que a investigação produza evidências científicas que possam contribuir para transformar o modelo em uma política pública estruturada.

No entanto, para colocar tudo isso em prática, é necessário ter o projeto escolhido no Orçamento Participativo da Câmara Municipal de Elvas. A escolha será por votação popular. Podem votar cidadãos portugueses e residentes estrangeiros com 16 anos ou mais. É necessário ter NIF, cada pessoa pode votar uma vez e a votação segue até 02 de outubro.

O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.
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