O primeiro plano do carioca Felippe Vaz quando se mudou para Portugal, em 2017, era apostar no lado acadêmico. "Vim para estudar psicologia, mas já trabalhava com audiovisual desde o Brasil". Na Universidade de Coimbra, fazendo uma cadeira opcional de fotografia, conheceu a baiana Amanda Porto, então estudante de jornalismo. O percurso dos dois se cruzou, o desejo de desbravar o mundo da comunicação evoluiu junto e, hoje, este casal brasileiro, além de um noivado, tem em comum uma produtora audiovisual que acaba de levar duas distinções nos Prêmios Lusófonos da Criatividade.A peça premiada foi um filme promocional sobre o trabalho dos Bombeiros Voluntários de Coimbra. O projeto conquistou ouro na categoria Produção de Filme e prata na categoria Filme. "No Moove, a gente sempre teve uma vertente muito preocupada com o social e com a comunidade, onde a gente está. E eu tenho alguns amigos que são bombeiros, tanto sapadores quanto voluntários, então tivemos a ideia de oferecer. Foi um vídeo probono para a instituição.", conta Felippe.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsAppO filme traz imagens de treinamentos, depoimentos, cenas em momentos de ação, e destaca a missão humanitária destes profissionais. "Queríamos um vídeo que se tornasse viral, mas que valorizasse o trabalho dos bombeiros voluntários, que também valorizasse essa época de queimadas, muito complicada para eles, de muito trabalho e que Portugal sofre muito, e dar essa visibilidade, porque, como são os bombeiros voluntários, estão sempre dependendo de doações de veículos, de doações de financeiras também. Ficamos muito felizes com o resultado", completa o brasileiro..Embora atuem no ramo há vários anos, a Moove nasceu apenas em 2024, depois que o casal identificou demandas no mercado português. "A gente foi vendo o quanto as pessoas precisam desses serviços de produção audiovisual, gestão de projetos, de redes sociais, marcas, e decidimos criar a empresa em conjunto para suprir a necessidade de quem chegava pra gente", diz Amanda Porto ao DN Brasil.Hoje, Amanda e Felippe contam com um banco de talentos, com cerca de 30 profissionais, que atendem onde o cliente estiver. "Já fizemos serviços nos Estados Unidos, Espanha, Marrocos, França. Eu falo que a gente não tem uma sede, a gente trabalha onde é preciso, mas sempre a partir de Portugal. Porque a gente vê um mercado aqui para isso, que comparado ao Brasil, ainda pouco explorado", avalia Felippe.Para a dupla, a vivência da migração traz elementos positivos para a integração profissional e oportunidades que têm surgido."Eu acho que o nosso diferencial é ter essa perspectiva e contexto de quem consome muito conteúdo do Brasil e outros países e, ao mesmo tempo, serem pessoas que já estão há algum tempo aqui em Portugal, estudaram aqui, entendem os portugueses, que estão em comunicação com essas pessoas. Nosso repertório sendo imigrantes brasileiros, tendo as referências que a gente tem aqui, de produtoras portuguesas, da comunicação, pra realmente constuir alguma coisa diferente", completa Amanda.Para o desenvolvimento de produtos criativos, Felippe reconhece que é preciso se adaptar a algumas diferenças que o mercado local exige. "No Brasil, a gente costuma arricar mais na publicidade", confessa. Por outro lado, também reconhece que, por aqui, encontra outros elementos para fazer o empreendimento prosperar."É um lugar que abriu muito espaço para a gente. Gostamos muito de estar aqui, inclusive, pela questão da segurança. No Brasil, eu tinha que pensar em contratar seguranças para acompanhar uma produção. Aqui isso nunca me passou pela cabeça. Então é um terreno fértil, como gosto de dizer, em que a gente consegue botar as nossas ideias e ter espaço e, inclusive, estrutura para trabalhar", completa o brasileiro..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..Cariocas trazem Leão de Cannes para Portugal. "Essa é a beleza do negócio, é um estúdio luso-brasileiro".Lisboa recebe ciclo de cinema brasileiro contemporâneo a partir desta quarta-feira