Tico Moraes e Valéria Lima fundaram o Studio Nuts em Portugal em 2015.
Tico Moraes e Valéria Lima fundaram o Studio Nuts em Portugal em 2015.Paulo Spranger

Cariocas trazem Leão de Cannes para Portugal. "Essa é a beleza do negócio, é um estúdio luso-brasileiro"

Tico Moraes e Valéria Lima comandam Studio Nuts, que levou prêmio de bronze no maior festival de criatividade do mundo. Com toque brasileiro, casal aproveita vantagens estratégicas que Portugal traz.
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O Leão de Bronze que o Studio Nuts levou na edição deste ano do festival Cannes Lion, o principal evento de publicidade do mundo, coroa o trabalho de uma equipe que une o melhor do talento criativo de Brasil e Portugal. "Essa é a beleza do negócio, é um estúdio luso-brasileiro", diz ao DN Brasil o fundador, Tico Moraes.

"Num contexto do Brasil, que o Brasil é o gigante, os caras ganham tudo, para Portugal é um desafio tão grande, porque o mercado é infinitamente menor. É realmente um feito você se destacar de alguma forma. Não só criativamente, mas para nós como um estúdio de produção", completa o publicitário, ressaltando que a equipe do estúdio, baseado em Lisboa, é composta por brasileiros e portugueses.

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O Leão veio com a produção da campanha Affordable Masterpiece, criada pela agência Memac Ogilvy, de Dubai, para a gigante sueca dos móveis IKEA, que associa produtos da empresa a elementos de famosas pinturas, dando a ideia de que aquele artigo é uma 'obra de arte acessível'. Além disso, o estúdiu também ganhou destaque na ACT Responsible Cannes, a iniciativa do festival que promove campanhas publicitárias globais focadas em responsabilidade social, com uma ação criada, de forma solidária, para a instituição portuguesa CASA – Centro de Apoio ao Sem Abrigo.

"No mínimo, uma vez por ano a gente tentar ajudar alguma causa social", diz Tico Moraes. "Para a APAV [Associação Portuguesa de Apoio à Vítima] fizemos, no ano passado, e por dois anos consecutivos, a criação da campanha Stop the Purple, que é o roxo para vestir, não para marcar", completa a co-fundadora, e esposa de Tico, Valéria Lima.

Para a CASA, o tema da campanha é 'ninguém é descartável', que mostra um homem de papelão sendo ignorado pelas ruas, até que recebe o cuidado da instituição. O objetivo era incentivar as pessoas a contribuírem, destinando parte do IRS ao projeto. "Foi bem especial, porque foi desde a criação e produção, tudo feito aqui, para um cliente português, então foi um trabalho bem especial", diz Valéria.

Tico Moraes e Valéria Lima no espaço onde fazem produções para o Studio Nuts, em Lisboa.
Tico Moraes e Valéria Lima no espaço onde fazem produções para o Studio Nuts, em Lisboa.Paulo Spranger

O relacionamento destes dois criativos com Portugal já vem de longa data. Em 2001, Tico foi convidado para trabalhar em Lisboa por Edson Athayde, brasileiro que emigrou para Portugal na década de 1990 e é tido como um revolucionário da publicidade no país. Na época, o casal já tinha um filho. Em 2008, para ter o segundo mais perto da família, Tico e Valéria decidem voltar para o Rio de Janeiro.

"Mas desde aquela época já desenvolvendo muitos trabalhos para Portugal, foram nossos primeiros clientes", recorda Valéria. "Passados sete anos, em 2015, a gente decide estruturar a Nuts em Portugal. E aí decidimos voltar, pela questão familiar também, aquela questão da segurança que todo brasileiro procura", completa Tico.

Além do desafio de atuar num mercado muito menor do que o brasileiro, a dupla também conta ter de driblar algumas diferenças nas características dos clientes. "O brasileiro está mais à frente no uso de ferramentas de IA, aqui ainda há uma resistência. Eu não vou generalizar, mas as agências estão muito acostumadas a fazer o processo tradicional, enquanto no Brasil, grande clientes já produzem até filmes com IA", pontua Tico.

No entanto, o casal destaca que o "toque brasileiro" para oferecer opções é um fator que acaba por conquistar o mercado. "É uma vantagem essa transformação [da IA] para a gente, porque por ter essa brasilidade, a gente está sempre antenado, vendo como faz, como a gente pode evoluir e propor o melhor para os clientes", afirma Tico.

Por outro lado, a dupla também tira vantagens das oportunidades que Portugal oferece. Num primeiro momento, olhando apenas para o negócio, "geograficamente é muito melhor pra gente", diz Valéria. "Porque a gente está na Europa. Vamos ficar uma semana em Madri, com uns clientes trabalhando de lá. Para ir para Dubai, são 7 horas de voo, muito melhor do que do Rio de Janeiro. Um voo pra Nova York são 7 horas também. Tem clientes na Austrália, que a gente não foi, mas o fuso é menos dolorido do que se eu tivesse no Brasil. Acabou que o estúdio ficou conhecido muito por isso, porque a gente vai para tudo que é canto, e somos brasileiros, mas a gente trabalha com o mundo inteiro a partir de Portugal", completa a empresária.

Pelo lado familiar, estar do lado de cá do Atlântico também é uma oportunidade. "Meus filhos foram criados aqui, foi uma infância tranquila. os dois estudaram em escola pública, o Lucas fez faculdade pública e agora vai para um mestrado em Luxemburgo. O mais velho joga futebol. Eu não sei se eu teria condições de dar essas possibilidades para eles no Brasil", reflete Valéria.

Reconhecendo Portugal como "um ponto de virada" profissional e pessoal, afirma Tico, o casal agora aposta na consolidação da empresa como referência no mercado criativo internacional e acaba de abrir uma sede do Studio Nuts em Dubai.

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