Rijarda Aristóteles e Paulo Mateus, em evento na Apex, em Lisboa.
Rijarda Aristóteles e Paulo Mateus, em evento na Apex, em Lisboa.Foto: Reinaldo Rodrigues

“Oportunidade.” Acordo UE-Mercosulé celebrado por brasileiros em Portugal

É unânime a opinião entre as pessoas entrevistadas pelo DN Brasil de que o acordo finalmente pronto para entrar em vigor é “histórico”. Portugal, através da presença de empresários e empresárias do Brasil que aqui vivem, reforça as relações com o Brasil para mais investimentos.
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Portugal terá um papel estratégico na implementação do acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A avaliação é de Paulo Mateus, diretor do escritório de Lisboa da Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). “Portugal acaba emergindo como um hub natural e estratégico para a implementação prática do acordo”, diz o executivo, em entrevista ao DN Brasil sobre o tratado aprovado pela Comissão Europeia.

Segundo o diretor, tanto os empreendimentos do Brasil quanto os de Portugal terão vantagens a partir do acordo. “O empresariado brasileiro e português será beneficiado de maneira concreta, mensurável e estruturante. Para as empresas brasileiras, com a redução das tarifas e das barreiras não-tarifárias, que é um fator importantíssimo, teremos maior previsibilidade regulatória para investimentos e contratos de longo prazo”, avalia.

Para os investimentos brasileiros em Portugal, mais ainda. “Teremos acesso ampliado a um mercado de alto poder aquisitivo e a possibilidade de usar Portugal como base para escalar operações para toda a Europa, que é o que a gente vem discutindo muito”, complementa Paulo Mateus.

Otacílio Soares Filho, presidente da Câmara do Comércio e Indústria Luso-Brasileira, vê da mesma forma. “A aprovação do acordo traz mais segurança e previsibilidade para os investidores, o que pode incentivar investimentos cruzados e parcerias estratégicas. A cooperação em áreas como tecnologia e inovação também deve ser fortalecida. Portugal pode ser realmente a porta de entrada dos negócios brasileiros na União Europeia”, afirma ao DN Brasil.

“Com a redução de barreiras tarifárias e não-tarifárias, o comércio entre o Mercosul e a UE deve aumentar, beneficiando setores como agricultura, indústria e serviços”, reforça o brasileiro. Tanto para Paulo quanto para Otacílio, “oportunidade” é a palavra que resume o acordo, além de ambos concordarem que se trata de um “momento histórico” para o Brasil.

“Os empresários de ambos os blocos terão muitas oportunidades. Com a simplificação dos processos de importação e exportação e das regulamentações, eles terão menos obstáculos para operar nos mercados do outro bloco", cita Otacílio. "O acordo também abre portas para novos mercados e setores, permitindo que as empresas diversifiquem suas operações e aumentem sua competitividade. E, claro, a cooperação facilitada pode levar a mais parcerias e joint ventures, promovendo a transferência de tecnologia e a inovação”, reflete o presidente da câmara.

“Haverá acesso facilitado a um mercado de 200 milhões de consumidores, com oportunidades em setores estratégicos brasileiros, como infraestrutura, energia renovável, bioeconomia, saúde e o agronegócio”, aposta Paulo Mateus. Segundo o diretor da Apex, o escritório de Portugal terá um papel importante. “A Apex vai atuar como facilitadora desse processo, oferecendo inteligência, conexões institucionais, programas de atração de investimentos e apoio direto à internacionalização”, relata.

As mulheres no acordo

Rijarda Aristóteles, presidente do Clube Mulheres de Negócios em Língua Portuguesa (MNLP), sempre defendeu o acordo como uma oportunidade para as mulheres. “Nós queremos a inclusão da temática de gênero como estratégia. Queremos sentar às mesas que decidem, com poder, para definir o percurso dessa inclusão. Queremos equidade no crescimento econômico, na competitividade, no acesso ao crédito, no acesso à tecnologia e à inovação. É fundamental aproveitarmos esse momento e avançarmos a passos largos. A inclusão de gênero não é apêndice, é estratégia inteligente de mercado. Todos e todas ganham nessa equação”, explica ao DN Brasil.

Em junho do ano passado, o MNLP iniciou estudos e criou um movimento de busca de apoios institucionais e empresariais para essa sensibilização. “Criamos o Fórum Mulheres Mercosul-UE e organizamos uma comunidade que hoje tem mais de 300 empresárias e profissionais liberais dos dois blocos. Realizamos quatro encontros importantes, dois em Lisboa e dois no Brasil, em Brasília e Fortaleza”, recorda.

Rijarda, que é doutora em História, também analisa o ponto de vista geopolítico do acordo. “A licença da maioria dos países europeus para que o acordo seja ratificado, é também um posicionamento de resistência, na alta política, ao modelo neo-colonial que volta a assombrar o século XXI”, afirma.

Nas próximas reuniões do fórum das mulheres, o assunto continuará em cima da mesa, agora com certezas. O acordo será assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai.

amanda.lima@dn.pt

Este texto está publicado na edição impressa do Diário de Notícias desta segunda-feira, 12 de janeiro.
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