Imobiliário em Portugal: um investimento que vai além da rentabilidade financeira

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O mercado imobiliário português tem demonstrado uma capacidade de valorização expressiva nos últimos anos, consolidando-se como uma alternativa para quem procura diversificar investimentos e construir património a longo prazo. Num contexto em que os produtos financeiros mais conservadores oferecem remunerações relativamente baixas, os imóveis apresentam uma combinação interessante: a possibilidade de valorização patrimonial, a obtenção de rendimentos através do arrendamento e a utilização futura da propriedade.

Lisboa e Porto são dois exemplos desta evolução. Segundo os dados do índice de preços do idealista, entre 2022 e 2026, os preços anunciados dos imóveis valorizaram 23,1% em Lisboa e 31,4% no Porto. Embora a capital apresente preços de entrada mais elevados, o Porto registou uma valorização percentual superior no mesmo período, demonstrando que existem diferentes oportunidades no mercado português.

Em Lisboa, os dados anuais do idealista indicam aumentos de 2,9% entre 2021 e 2022, 4,7% entre 2022 e 2023, 5,1% entre 2023 e 2024, 8,5% entre 2024 e 2025 e 4,3% entre 2025 e 2026. Em setembro de 2026, o preço anunciado por metro quadrado atingiu os 5.995 euros. Estes números ilustram a trajetória de valorização da capital, embora seja importante recordar que os preços anunciados não correspondem necessariamente aos valores finais das transações.

Para tornar esta evolução mais concreta, imaginemos dois apartamentos adquiridos em 2022, um em Lisboa e outro no Porto, ambos por 400 mil euros. Aplicando as valorizações acumuladas do idealista, o apartamento de Lisboa teria, em 2026, um valor estimado de 492.400 euros, enquanto o do Porto atingiria os 525.600 euros. Estamos a falar de uma valorização patrimonial hipotética de 92.400 euros em Lisboa e de 125.600 euros no Porto, em apenas quatro anos. Naturalmente, o desempenho efetivo de cada imóvel depende da sua localização, tipologia, estado de conservação e características individuais.

A comparação com os produtos de poupança ajuda a compreender o interesse pelo imobiliário. Em Portugal, os depósitos a prazo e os Certificados de Aforro apresentam, em geral, remunerações anuais bastante inferiores às valorizações registadas nos mercados imobiliários de Lisboa e do Porto. No entanto, oferecem características diferentes em termos de liquidez, previsibilidade e proteção do capital.

Voltemos ao exemplo dos 400 mil euros. Aplicados num depósito a prazo com uma taxa anual bruta hipotética de 2%, gerariam 8 mil euros de juros por ano, ou 5.760 euros após a retenção de IRS de 28%. Ao fim de quatro anos, mantendo a mesma taxa e sem reinvestir os juros, o rendimento líquido acumulado seria de 23.040 euros. Se considerarmos uma taxa bruta de 2,5%, o rendimento líquido anual subiria para 7.200 euros, totalizando 28.800 euros em quatro anos. Estes valores são meramente ilustrativos e não correspondem a propostas bancárias específicas.

A diferença relativamente à valorização dos apartamentos é significativa. Contudo, vale ressaltar que a valorização de um imóvel só se transforma em rendimento realizado quando este é vendido, estando sujeita a impostos e despesas.

A evolução dos preços em Lisboa e no Porto não significa que todos os imóveis ofereçam o mesmo potencial de valorização. A localização, a qualidade da construção, as acessibilidades, os serviços disponíveis e as características da propriedade continuam a ser determinantes para o sucesso de um investimento.

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