Quando as instituições colapsam

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Crise do Ministro da Administração Interna. Crise do Ministro da Educação. Crise da Saúde, essa já até se esqueceram- Crise na isenção do Tribunal Constitucional. Estamos falando de Portugal.

Crise de confiança no STF, ministro editando do próprio computador contrato de 131 milhões em benefício do escritório da esposa, de serviços de consultoria de "ouro", presidente de Senado fazendo coleção de pedido de Impeachment para salvaguardar poder de influência, perseguição a candidaturas presidenciais antissistema, PGR citado em investigação, que pede nulidade da investigação porque não consegue dar uma desculpa ao vazamento de informações sobre si mesmo. 

Tudo isso em ano de eleição na oitava maior economia do mundo: o Brasil, que vive em disputa de influência entre as duas nações mais poderosas do mundo. Preciso dizer que são China e Estados Unidos?

Enquanto isso, você e eu vivemos nos equilibrando no pagamento de impostos, cumprimento da lei, crença em dias melhores, e desejo genuíno que tudo isso seja apenas um roteiro de série de suspense político viral da Netflix, tipo House of Cards.

O problema é que não é. Esse é o nosso quadro social. Não existe atualmente um só lugar dentro das instituições, no mais alto grau das cúpulas que não sejamos expostos a uma crise de confiança. 

Nesse momento só temos perguntas sem respostas: o que de tão poderoso o Ministro da Administração Interna guarda em segredos, seja de membros do PS e do PSD, que o mantém no cargo apesar das histórias que já sabemos? Já tivemos outros ministros que caíram por muito menos. E cabe outra pergunta: Por que ele foi trocado de funções? Pelo conjunto da obra trata-se de um bom gestor, era o que sempre se pensou. Essa crise levanta mais perguntas que respostas. Sejamos sinceros.

Depois de todas essas perguntas sobre o que sabemos, o que ainda não sabemos? E por que agora, com vazamento de informações seletivo? 

No fundo, nem Brasil nem Portugal estão em condições de levantar a bandeira da decência e moralidade administrativa. E essa novela é assistida pelo cidadão incrédulo e desapontado em ter que admitir a sujeira por detrás de quem nos governa.

Entendemos, advogada, mas é agora? 

E agora tudo continua exatamente igual, querido leitor. Uma ou outra dessas figuras expostas precisa de inventar uma boa história, alguma que "absolva" os mais graduados no comando do sistema e faça você esquecer as crises, e só pensar em qualquer outro escândalo fabricado logo logo para esse intento. Pode contar.

E seguimos assim: a nós só cabe obedecer e aceitar o que nos empurram goela abaixo, enquanto favores, contratos milionários, relações promíscuas, jatinhos, hotéis, viagens, carros, pagamento de cartões de crédito e festas nababescas acontecem debaixo do nosso nariz. 

O ministro do STF de lá vai renunciar? Duvido.

E o ministro da Administração Interna daqui? Tampouco. 

O filho do presidente vai explicar a origem dos desvios e mesadas? Sem dúvida que não. Já o filho do presidente preso pode vestir o branco da pureza? Isso é que não mesmo. 

Agora você já tem certeza que não há santos nem lá e nem aqui ou preciso encomendar um outdoor dizendo que os políticos e ministros das mais altas cortes de ambos os países precisam cumprir a lei? 

Jamais faria isso, porque seria preconceito com essa minoria. Hoje estou mais ácida, perdoem, vejamos a pimenta que nos aguarda, será de arder os olhos. E você do outro lado achando que os reais problemas de Brasil e Portugal estão no "bolsa família", imigrantes e ciganos? Quanta preguiça de pensar...

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