O Brasil deu uma guinada à direita. E ainda que o país aguarde a realização do segundo turno, o resultado das urnas na primeira rodada das eleições mostrou que a sociedade brasileira galopou em direção à política de direita, em uma corrida que será difícil para a esquerda reverter o resultado.É como se o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus apoiadores estivessem diante de uma grande muralha que os impedisse de chegar à mente daqueles que votaram, no primeiro turno, nos demais adversários do petista e de Flávio Bolsonaro. Lula está gritando sem voz para mais da metade do país.As redes sociais são um exemplo dessa problemática. Durante quatro anos, os partidos e os influenciados de direita surfaram na onda da captação de novos seguidores, levando suas ideias radicais, muitas vezes misóginas e machistas, para um público que o aplaudia no silêncio de suas casas. De lá até o voto na urna, foi só uma questão de tempo.Enquanto a esquerda não entendia as redes sociais, a direita cresceu. Elegeu a maioria das cadeiras que estavam em disputa no Senado Federal. Foram 33 senadores eleitos pela direita que, somados aos 16 que já estavam na Casa, formam a maioria absoluta entre os 81 parlamentares que ocupam a Casa Legislativa revisora do país.No Senado, a direita não é apenas um número. Ela chega como sinal de mudança. A guinada à direita ameaça à estrutura do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que passa pela Casa a decisão de abertura ou não de processo de impeachment contra ministros da Suprema Corte. Alexandre de Moraes, o ministro diretamente respingado pelo escândalo do caso Master e que é odiado pelos bolsonaristas desde que Jair Bolsonaro foi condenado pelos atos antidemocráticos, sabe que sua toga está seriamente ameaçada.A ameaça também é para Lula. Caso consiga reverter o trágico cenário que se desenha para a esquerda, Lula sabe que não terá estrutura de governabilidade. É cedo, claro, para falar em impeachment, até porque no caso do Presidente da República quem abre o processo é a Câmara, mas lá também a esquerda não tem maioria. E a possibilidade de ser um adversário político de Lula a comandar a Casa é grande diante de tamanha força da direita no Parlamento.A duas semanas do turno decisivo das eleições presidenciais, o legado da esquerda está em xeque. Políticas sociais que priorizam os mais pobres, assim como em defesa dos grupos minoritários, que sempre foram bandeiras da esquerda, da mesma forma. A guinada do Brasil à direita já foi dada. Resta saber quanto tempo ela permanecerá. .Direita programática e direita psiquiátrica.Flávio Bolsonaro tem matemática, conjuntura e história a favor na segunda volta.Nós, assim como Cármen Lúcia, mulheres avulsas