Levantem-se, mulheres! A urna te espera!

O Brasil tem a menor participação de mulheres na política entre todos os países da América Latina, segundo dados divulgados pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação.
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O Brasil tem a menor participação de mulheres na política entre todos os países da América Latina, segundo dados divulgados pelo Instituto Esfera de Estudos e Inovação.

A despeito de sermos a maior fatia da população no Brasil, ainda estamos longe de ocupar reais espaço de representação política que sejam capazes de alterar, a curto prazo, esse cenário de desequilíbrio que acaba por ser prejudicial para a própria estrutura da democracia brasileira.

Para se ter uma ideia da proporção desta desigualdade política, a participação de mulheres nos Parlamentos brasileiros está atrás da registrada em países como México, Cuba, Bolívia, Argentina e Costa Rica. É muito lamentável isso.

É claro que tivemos melhorias nos últimos anos. Mas também é importante destacar que essa baixa participação feminina na política não é um fato isolado: ela é resultado de toda uma cadeia histórica que por muitos anos deixou de fora as mulheres brasileiras, tanto da política quanto da construção das estruturas socioeconômicas do nosso país.

As mulheres brasileiras apenas conquistaram o sufrágio em 1932. Foi apenas neste ano que as mulheres passaram a exercer o direito ao voto. Isso tudo pode até parecer uma história distante, mas para vocês terem uma ideia de quão próximo tudo isso está de nós, quando as mulheres adquiriram o direito ao voto com a publicação do novo Código Eleitoral, minha avó tinha 12 anos. Hoje, ela está com 106 anos, e, apesar da idade avançada, não deixa de exercer o direito que tem de votar.

As conquistas femininas são tão recentes que seus reflexos do período que não as tínhamos ainda impactam de forma negativa na sociedade. E por isso é tão necessária a participação de mulheres na política.

Historicamente, as mulheres foram renegadas na sociedade. Quando as mudanças ocorreram, as batalhas seguiram. A mais recente, que foi a implementação da política de cotas para mulheres, tem pouco mais de 30 anos, e ainda assim patina porque o crescimento das candidaturas femininas não foi acompanhado, na mesma proporção, pelo aumento de mulheres efetivamente eleitas.

A ponte que separa o desejo das mulheres de fazerem política até a concretização dessas políticas é tão frágil que a maior parte cai no meio do caminho, e acaba engolida por obrigações familiares e de cuidado que sugam suas forças, conhecimento e até mesmo vontade de lutar pelas melhorias.

Com poucas mulheres eleitas, a chance de conquistarmos avanços para a pauta feminina fica dificultada. Mulheres não podem estar na política para compor as plantações de laranjais que nutrem a masculinidade que ainda predomina na política brasileira. Neste ano de eleições, temos mais uma chance de tentar melhorar esse cenário. Sabemos que, no que depender dos homens, essas mudanças não vão acontecer. Então, mulheres, cabe a nós buscarmos essas conquistas.

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