O mercado brasileiro de apostas vive um momento decisivo. A regulamentação das apostas de quota fixa inaugurou uma nova fase para o setor, com fiscalização e responsabilidades para as empresas que desejam operar legalmente no país. Mas a consolidação desse mercado depende do combate efetivo às plataformas ilegais.Quando uma empresa escolhe atuar dentro da regulamentação, ela assume uma série de compromissos com a sociedade. Precisa adotar mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro, utilizar instituições financeiras autorizadas, proteger os dados dos usuários, verificar a identidade dos apostadores para impedir fraudes e o acesso de menores de idade, além de cumprir obrigações tributárias. Essas exigências representam um investimento em segurança, transparência e confiança.As plataformas clandestinas seguem um caminho oposto. Elas operam sem fiscalização, ignoram as regras de proteção ao consumidor e criam um ambiente de insegurança para quem aposta. O usuário não tem garantia de que receberá um prêmio, de que seus dados pessoais estarão protegidos ou de que terá qualquer respaldo caso enfrente um problema. Ao mesmo tempo, empresas que cumprem a legislação passam a competir em condições desiguais com operadores que simplesmente desrespeitam as normas.Por isso, considera-se que um dos avanços mais importantes da regulamentação não é apenas a autorização para o funcionamento das bets legais, mas, também, o fortalecimento dos mecanismos de combate à ilegalidade. O Decreto nº 13.033 representou um passo importante nessa direção ao permitir que recursos movimentados por operadores sem autorização sejam bloqueados e, após o devido processo administrativo, destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública. A medida demonstra que o enfrentamento às bets ilegais deixou de ser apenas uma questão regulatória e passou a integrar uma estratégia de combate ao crime financeiro.Esse movimento se soma a outras iniciativas já adotadas pelo governo federal. A parceria entre a Secretaria de Prêmios e Apostas e a Anatel já resultou no bloqueio de milhares de domínios irregulares. Também houve avanços no monitoramento de publicidade clandestina, na retirada de aplicativos ilegais e na criação de mecanismos de jogo responsável, como a Plataforma Centralizada de Autoexclusão. São ações que mostram que a regulamentação não se resume à concessão de licenças, mas envolve fiscalização contínua e aperfeiçoamento permanente.Ainda assim, a participação do consumidor continua sendo fundamental e imprescindível. Em um mercado que já figura entre os maiores do mundo, escolher uma plataforma licenciada é uma decisão que faz diferença. Um dos sinais mais simples é verificar se o endereço termina em “.bet.br”, domínio utilizado pelas empresas autorizadas pelo governo federal.O domínio adere a um conjunto de regras construídas para oferecer maior proteção ao usuário e fortalecer a credibilidade do setor. Em um ambiente regulado, transparência é obrigação, e não um diferencial.A regulamentação das apostas deve ser vista como uma oportunidade de construir um mercado mais responsável. Isso exige fiscalização eficiente, concorrência leal, educação do consumidor e tolerância zero com operadores clandestinos. Combater as bets ilegais é defender um ambiente em que empresas, governo e sociedade compartilhem o compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção de quem decide apostar..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil.