O presidente do Instituto Nacional de Terras Raras (INTR) está em sua primeira viagem institucional a Portugal e já adianta que não deverá ser a última. Dois dias são poucos diante dos vários contatos que David Moreira tem recebido e que motivaram sua vinda ao país.Em entrevista ao DN Brasil, o presidente do instituto conta que, após participar de eventos, foi convidado por empresários e pesquisadores de Portugal interessados no tema das terras raras. O Brasil tem a segunda maior reserva desses minerais do mundo e ainda há uma parcela significativa desse potencial a ser pesquisada, cerca de 70%, estima o especialista.O INTR, explica David, é uma instituição privada e não representa o Governo brasileiro, apesar de trabalhar em colaboração com todas as esferas, dos municípios ao Governo Federal. "O nosso papel é ser a ponte", sintetiza."Eu fui procurado por empresários que são brasileiros e moram em Portugal, empresários africanos que moram em Portugal, empresários americanos que moram em Portugal, que estão diversificando o ramo em diversos outros países, mas que não conseguem entender como fazer a diversificação das terras raras hoje", detalha.No entanto, as regras para esse tipo de investimento são recentes. "Com a criação da Política Nacional de Minerais Críticos, as regras ficaram mais claras. Com regras claras fica mais fácil saber o que pode ser feito, porque o capital só entra se tiver condições seguras", afirma.A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi criada pela Lei nº 15.506/2026, sancionada em 16 de setembro. A legislação prevê medidas para estimular a pesquisa, a extração, o beneficiamento e a transformação desses minerais no Brasil, além de mecanismos de financiamento e incentivos fiscais.O mesmo interesse surgiu por parte de pesquisadores do país. Segundo o presidente, o Brasil busca parceiros para o desenvolvimento de pesquisas e tecnologia. "O Brasil tem alto conhecimento geológico, alta condição de produção mineral, mas não tem tecnologia. A tecnologia hoje está aqui na Europa. Para unir isso, essa ponte tem que ser Portugal", defende.São necessários centros de pesquisa específicos para a investigação desses minerais, e David considera essencial que os governos façam parte desse processo. Sobre isso, afirma que foi questionado pelos empresários sobre o que o resultado eleitoral representa.Clique aqui e siga o canal do DN Brasil no WhatsApp!"Se a gente avaliar o plano de governo dos principais candidatos brasileiros, as duas propostas são muito boas. Mas se a gente for pelo que se diz, é de que um candidato quer entregar as terras raras para a China e o outro para os Estados Unidos. Eu não posso corroborar com isso porque o que está no plano de governo não é isso", afirma.O DN Brasil consultou os planos de campanha dos dois candidatos. Flávio Bolsonaro propõe, no capítulo dedicado aos minerais críticos, a atração de capital e tecnologia, além de parcerias internacionais, enquanto também defende a agregação de valor no Brasil. O plano de Lula enfatiza a agregação de valor em território nacional, o desenvolvimento das cadeias produtivas e a soberania sobre esses recursos.O representante do INTR defende que, independentemente de qual for o candidato, o plano para as terras raras precisa ser "de estado, não de quatro anos". E como manter a soberania nesse processo? Na visão do especialista, os demais países "podem querer as terras raras, mas querer não é poder".Para David, o mais importante não é quem terá o interesse e o acesso a esses materiais, mas sim o objetivo final. "É preciso que seja para uma união", define. Uma nova viagem para Portugal já ficou marcada para novembro. Uma das possibilidades é a realização de um seminário sobre o tema, com a participação de universidades..O DN Brasil é o braço do Diário de Notícias dedicado à comunidade brasileira que vive ou pretende viver em Portugal. Os textos são escritos em português do Brasil..EUA vão investir dez mil milhões em reserva estratégica de terras raras .Otacílio Soares reeleito presidente da câmara da indústria e comércio luso-brasileira. "Foco na atração de investimento"